Boom infantil

Boom infantil

Bruna Tiussu

11 Dezembro 2017 | 14h10

Cena típica, sempre cheia de crianças. Foto: Bruna Tiussu


Em Uganda, as crianças dominam os cenários. Elas estão por todos os lados tanto nas cidades quanto no campo, caminhando, brincando ou ajudando alguém mais velho. São lindas, doces, do tipo que faz você querer levar pra casa. Mas são muitas mesmo.

Elas alavancam a taxa de crescimento populacional do país, que aumenta a cada ano. Em 2016, ficou em 3,3% — enquanto a do Brasil foi 0,8%. A imagem de uma nação jovem, portanto, é algo consolidado. Bastante jovem, aliás, já que 50% dos ugandenses têm menos de 15 anos.

Metade da população do país tem menos de 15 anos. Foto: Bruna Tiussu

Essa realidade é resultado de um babyboom desenfreado, da quase total falta de planejamento familiar. Para muita gente aqui ainda vale o paradigma: casou, faz filho. Um comportamento que mistura cultura e preceitos cristãos. Com exceção da capital Campala — vi até cartazes de propaganda de métodos anticoncepcionais por lá –, nas demais cidades e vilas é difícil encontrar gente casada há um ano e ainda sem um bebê. Quando acontece, logo se imagina que a mulher tem algum problema — sim, a mulher.

A taxa de fertilidade em Uganda é de 5,68 nascimentos por mulher — a do Brasil é de 1,78. É muita coisa. Sobretudo se levarmos em conta que apesar do índice de pobreza ter melhorado, 34,6% da população ainda vive com menos de US$ 1,90 por dia.

Famílias com quatro, cinco crianças está na média. Foto: Bruna Tiussu

Dá pra notar que o número de filhos é uma medida de status para muitos homens (e algumas mulheres também). Quanto maior o rebento, mais viril e forte ele é.

Aqui onde a poligamia é legal, essa ideia ganha força extra e contribui ainda mais nesse boom infantil. Um homem sempre tem filhos com todas as parceiras. Ser pai de oito ou nove crianças é normal. Agora, se ele tem condições de dar comida, educação e cuidar bem de todas, aí já é outra história.

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