Costurando o futuro

Costurando o futuro

Camila Anauate

22 Agosto 2017 | 12h10

Dediquei uma parte dos meus dias na Jordânia ao projeto Gera MAIS, de empoderamento das mulheres refugiadas. Ali, em um apartamento alugado no centro de Fuheis, vi dor, medo e angústia se transformarem em inspiração.

Quem ajuda nesse processo é Ghosson, uma síria de energia e sorriso contagiantes. Todas as manhãs, ela ensina outras refugiadas a bordar e costurar produtos que representem suas pátrias, seus costumes e suas histórias. A ideia é que todas aprendam a profissão – e gerem renda.

Mais do que isso, na verdade: convivam e compartilhem. Mas as histórias dessas manhãs leves e alegres é assunto do próximo post.

 


Ghosson vive há duas décadas na Jordânia com marido e filhos, mas há sete anos não pode sair do país para visitar a família na Síria, por causa da guerra. Fala com eles sempre que pode, mas vive preocupada e sonha com a aprovação do visto de todos para a Austrália. Antes de se juntar ao Gera MAIS, ela já costurava em casa, mas diz que o projeto mudou suas perspectivas de vida.

“Sou muito mais feliz hoje porque tenho amigas, saio de casa, converso”, conta. “Mas o mais importante é ajudar todas essas mulheres – e a mim mesma – a ter perspectiva de futuro”. A filha de Ghosson, Antwanet, de 22 anos, que participa do Gera MAIS como tradutora do inglês para o árabe, é testemunha. “Adoro vir aqui, poder ajudar e ver minha mãe mais alegre e animada”, comenta.

Sírias e iraquianas têm aulas em dias diferentes dias da semana, para que todas tenham espaço e oportunidade. Os produtos? Camelos de crochê, marcadores de página, almofadas, chaveiros… Para mim, o mais representativo é o marca-página com a letra N, que em árabe significa nazareno, ou cristão. No Iraque, o Estado Islâmico marcava com a letra N as casas dos cristãos para persegui-los – e eliminá-los. No Gera MAIS, “N” virou inspiração.

Quer conhecer os produtos e ajudar essa causa?

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