Da escola para o mundo

Da escola para o mundo

Bruna Tiussu

09 Fevereiro 2018 | 13h52

Aluno da Bright School durante aula de inglês. Foto: Eduardo Asta

A qualidade de ensino da Bright English School está num outro patamar se comparado com o que encontrei em minhas experiências anteriores, na Furman Foundation (Gana) e no Amasiko Greenschool (Uganda). Depois de pouco mais de um mês de vivência na escola, consigo afirmar que os professores são qualificados, priorizam o inglês na sala de aula e seguem um programa didático à risca.

O resultado são crianças que, além de melhor alfabetizadas, têm maior autoconfiança, mais curiosidade sobre o mundo e ambições variadas. Quando eu perguntava às kids do Amasiko qual profissão elas queriam seguir, as respostas circulavam entre freira, enfermeira, médico e professor. Esse era o universo deles. Aqui, os pequenos sonham em ser piloto, engenheiro, atriz, músico e dona de restaurante. E todos dizem querer morar na cidade grande: Arusha ou Dar es Salaam.

Obviamente, esse mundo mais amplo reflete o próprio país. Apesar de ainda ter um baixo IDH (0,531), a Tanzânia possui uma economia em crescimento, um governo que parece se mexer para barrar a corrupção e que é mais aberto às trocas externas, tanto no comércio quanto por meio do turismo que aqui se desenvolveu.


Mas sejamos justos: o mérito é em grande parte da própria Bright English School. Pois as escolas públicas, ao menos as daqui de Loliondo, não conseguem preparar suas kids assim tão bem.

Professor Omary, que ensina inglês para as séries 3, 4 e 5. Foto: Eduardo Asta

E como é boa a sensação de chegar num projeto cujas missões e valores não estão só no papel. Há todo um esforço coletivo, encabeçado pelo casal Juliana e Baraka, para que a escola evolua e ofereça um ensino ainda melhor.

Se a qualidade didática é elevada, já não dá para dizer o mesmo da infraestrutura. Como em Gana e Uganda, as salas de aula aqui são super básicas, com uma quantidade de carteiras insuficiente para todos os alunos, lousas precárias e sem energia elétrica. No prédio em que funciona o internato, os dormitórios se transformam em classes durante o dia: as beliches são afastadas, as carteiras acomodadas no centro e a lousa apoiada numa cama.

Dormitório transformado em sala de aula. Foto: Eduardo Asta

Todas as kids têm cadernos. Algumas têm lápis, outras, só canetas. Umas possuem borracha, outras giletes (que usam como apontador). Elas seguem o dia o dia na base do compartilhamento de material escolar, e está tudo bem. Tendo professores bons e comprometidos, o resto fica fácil de se ajeitar.