Deus no céu e na escola

Deus no céu e na escola

Bruna Tiussu

19 Outubro 2017 | 11h31

Assim como outros alunos, Angel está sempre com um terço no pescoço. Foto: Bruna Tiussu

Uganda é um dos países do Leste africano que mais sofre influência da religião no seu dia a dia. O cristianismo é dominante — 85% da população –, seguido do islamismo — 12% — e de uma presença mínima de judeus, hindus e animalistas.

Predominante, o cristianismo orienta setores importantes do país, como a educação. Aqui na escola, a semana começa e termina com orações e cânticos. E de segunda à sexta todas as séries do primário têm aulas de religião. Elas são pautadas majoritariamente pelos ensinamentos cristãos, mas incluem alguns preceitos islãs e tradicionalistas.

Os alunos daqui não têm um inglês fluente. Estão aprendendo a língua — mesmo que ela seja a oficial de Uganda –, e carregam um sotaque local bastante forte. Ainda assim, curiosos que são, tentam conversar sempre que eu me aproximo. Nesses papos rápidos dá pra notar a forte presença da religião em suas rotinas.


Se pergunto o que fizeram no fim de semana, recebo como resposta “I went to the church”. Se os presenteio com uma bala, ganho um “God bless you”. Se peço para fazerem um desenho, não raro vejo suas criações ganharem dizeres como “I love my God and my parents”.

Eles desenham e deixam uma mensagem cristã. Foto: Bruna Tiussu

Ontem estava de bobeira na escola e uma criança da terceira série do maternal ficou me rondando. Depois de tomar coragem, disse: “Let’s play?” Eu respondi “yes” e o segui. Ele então parou num gramado, ao lado de uns amigos, juntou as mãozinhas abertas e fechou os olhos. Estranhei e perguntei: “Aren’t we gonna play?” E ele: “Not play. Pray!” Considerei esta a primeira rasteira que levo do inglês ugandense.