Dez dicas para um viajante voluntário

Dez dicas para um viajante voluntário

Bruna Tiussu

26 Dezembro 2017 | 05h43

Com alunos da Furman Foundation School, em Kumasi, Gana. Foto: Eduardo Asta

Vai ser difícil 2018 bater 2017. Entro na última semana do ano sentindo uma felicidade absurda. E ciente de que esta experiência como voluntária tem mudado a maneira com que vejo muita coisa.

Aproveitando a época de pensar (e repensar) a vida, reuni aqui dez dicas para quem também cogita embarcar numa viagem voluntária. Vai que a ideia está na sua lista de resoluções para 2018, né?

1. Pesquise projetos locais e pequenos que atuem em áreas de seu interesse — educação, saneamento básico, agricultura, etc. É a melhor opção para experimentar o modo de vida do lugar


2. Minha sugestão para a busca de projetos é o site Workaway, que reúne várias opções nos mais distintos cantos do mundo. Você faz uma assinatura anual e pode trocar mensagens com os responsáveis pelas iniciativas e com voluntários que já passaram por elas

3. É muito fácil se encantar por opções que ficam em lugares paradisíacos, com belos cenários e possibilidades turísticas. Mas segure e empolgação e foque nos projetos em si, afinal você não está planejando uma tradicional viagem de férias

Amasiko Greenschool and Homestay, no Lake Bunyonyi, Uganda. Foto: Bruna Tiussu

4. Fique atento às línguas faladas no lugar. Em muitos países aqui da África, por exemplo, as pessoas não falam inglês fluentemente ainda que ele seja uma das línguas oficiais.  Barreiras na comunicação influenciam muito na sua experiência

5. Esteja ciente de que apesar de ser voluntário ainda é trabalho. Você terá obrigações, chefes, horários e não raro vai trabalhar mais do que o esperado. Por isso é importante escolher um projeto em que possa ajudar em áreas de seu interesse

6. Tem alguns destinos em mente? Leia sobre eles antes de decidir ir para lá como voluntário. No meu caso, os livros Ébano (Ryszard Kapuscinski), Pé na África (Fabio Zanini) e Meu Primeiro Golpe de Estado (John Dramani), ajudaram bastante a entender o dia a dia nos países que escolhi

7. Leia também sobre como é ser um voluntário. Acaba de sair do forno o livro Africanamente (Gustavo Fernandez). Nele, o autor fala de suas vivências na África do Sul, no Zimbábue e na Etiópia. Há dicas práticas e reflexões que são resultados dessas experiências, como o pensar coletivamente, a aproximação de culturas e a transformação de si próprio

8. Faça contas e mais contas para não ter surpresas lá fora. Ser voluntário significa ter zero de entrada e gastos que podem ser altos — passagem aérea, vistos, seguro de saúde e outros deslocamentos são os que mais pesam no bolso –, a depender do que você pretende fazer/conhecer neste período

9. Morar e trabalhar em outro país significa seguir regras que podem não fazer sentido pra você. É essencial deixar de lado estereótipos e exercitar o entendimento de uma cultura dentro do contexto local

Troca: palavra mais importante numa experiência voluntária. Foto: Eduardo Asta

10. Comece a abrir seu coração e sua cabeça para a vivência antes mesmo de chegar em seu destino. Um viajante voluntário faz as malas pronto para ajudar o próximo, mas são grandes as chances dele voltar para a casa sentindo-se muito mais “ajudado”, transformado. Essa sensação de troca é a mais gratificante de toda a experiência