Esquema budget

Esquema budget

Bruna Tiussu

30 Novembro 2017 | 15h49

Boda-boda, o transporte mais popular de Uganda. Foto: Bruna Tiussu


O segredo para viajar por Uganda de transporte público é não ter uma programação rígida. Há como chegar em (quase) todos os cantos do país do jeito que os locais fazem, mas a opção requer paciência.

Como na maioria das nações africanas, veículos compartilhados só partem depois de cheios. E pode ser que você espere 1, 2, 3 horas até que isso aconteça. A regra é válida para os matatus (também chamados de táxis), vans que viajam entre cidades e vão parando em todas as vilas, e para os small taxis, carros comuns que ligam municípios relativamente próximos uns dos outros.

Estacionamento de matatus, cada cidade tem o seu. Foto: Bruna Tiussu

As duas opções existem aos bandos de Norte a Sul do país. E são como coração de mãe: sempre cabe mais um. Matatus transportam mais de 20 pessoas facilmente, ainda que haja o aviso “capacidade máxima 14 passageiros”. E nos small taxis rola o esquema 4 + 4 — três passageiros na frente junto com o motorista e outros quatro no banco traseiro. Sardinha total, mas dá certo!

Viajando tanto com matatu quanto com small taxi passei pela experiência do veículo parar por falta de gasolina. Daí você espera de novo. Observa a paisagem, escuta uma música, joga conversa fora… até uma alma boa passar e aceitar buscar combustível para o motorista.

Small taxi parado por motivo de falta de gasolina. Foto: Bruna Tiussu

Ônibus, a alternativa mais eficaz para longas distâncias, na teoria têm horário marcado para sair. Na prática, atrasam 1 ou 2 horas, também tentando preencher todos os assentos.

O mais bacana das viagens de ônibus é o free market que rola em cada paradinha. Há quem tenta oferecer seu peixe pelas janelas, há quem entra no bus para convencer o consumidor cara a cara. As mercadorias variam de bananas a frango vivo, passando por gafanhotos fritos (um petisco delicioso, aliás).

Outro meio de transporte superpopular é o boda-boda, motos que percorrem curtas distâncias, especialmente entre vilas. O nome é um diminutivo de “border to border”, termo usado no passado, quando as motos eram bastante usadas para levar mercadorias contrabandeadas entre as fronteiras.

Os bodas tampouco se restringem a um passageiro. Vale ir dois na mesma moto; vale ir um adulto e duas crianças. É tudo uma questão de jeitinho.

Barco de pescador usado para cruzar o Lago Albert. Foto: Bruna Tiussu

Na região Centro-Oeste do país também tive que pegar um barco para cruzar o Lago Albert. Oficialmente deveria existir ali um ferry para transportar veículos e pedestres, mas estava quebrado. A alternativa eram barcos de pescadores, que também podem ir lotados.

Ainda nesta região eu vi vários caminhões com traseiras abertas ou semi-cobertas com uma lona funcionando como meio de transporte. Impossível contabilizar quantos viajam neles, só se vê as cabecinhas de gente em pé, sentada e até pendurada do lado de fora.

Um dia, cansada de esperar um matatu encher para partir, cogitei pegar um desses. Mas a extrema falta de conforto e de segurança me barrou. Não tive coragem de arriscar a sorte, não.

Você encararia? Foto: Bruna Tiussu