Girl power

Girl power

Bruna Tiussu

09 Maio 2018 | 11h56

Com Andi, economista espanhola e também voluntária na Furman Foundation. Foto: Eduardo Asta


Tenho uma baita sorte na vida: meus caminhos sempre se cruzam com os de mulheres maravilhosas. No meu voluntariado não foi diferente. Tiveram todas as africanas que me ensinaram um mundo de coisas, às vezes só pelo olhar, pela troca de poucas palavras (ou mímicas) ou pelo convívio diário. E houve as mulheres que, assim como eu, também saíram do conforto de suas vidinhas para se dedicar a um período voluntário.

Estamos falando da África, essa porção do planeta que emana estereótipos e notícias que viajam o mundo espalhando medo e violência. Mas que nem assim as intimidaram. No total de oito meses, conheci muito mais voluntáriAS do que voluntáriOS. Mulheres com idades, repertórios e conhecimentos distintos, porém, com a mesma vontade de ajudar aquelas kids todas e aquelas comunidades que escolhemos nos aproximar.

Na Furman Foundation, em Gana, as crianças foram apresentadas a variados experimentos científicos levados por Cristina, uma física italiana. Aprenderam passos de balé com Eva, uma bailarina da Eslovênia. Jogaram basquete numa tabela + cesta handmade pela Vero, uma fisioterapeuta húngara. Costuraram bolsinhas e cintos com Veronica, uma engenheira italiana. E tiveram aulas de gramática, redação e spelling dadas por Andi, uma economista espanhola.

Cristina fazendo um experimento científico com as crianças de Gana. Foto: Bruna Tiussu

Quando cheguei na Bright School, na Tanzânia, estavam lá Isabel e Lova, duas suecas, em seus 17 anos, que não sabiam direito qual caminho seguir na faculdade. Elas sabiam, porém, que já tinham condições de ajudar as kids dali, no dia a dia escolar, com informações sobre o mundo “lá fora” e com a produção de materiais para divulgar e buscar financiamento para o projeto. Pouco antes de eu deixar a Bright, chegou Laíza, uma engenheira brasileira que já em seus primeiros dias foi ensinar conceitos básicos de finanças para Juliana, a diretora da escola.

A simples presença dessas mulheres já era uma lição para as kids africanas — para as professoras, professores e idealizadores dos projetos também. Uma verdadeira reavaliação de pensamentos e ideias. Era como se todos tivessem aulas diárias de igualdade de gênero e direitos da mulher, em que conceitos pouco falados naqueles ambientes, como sexo frágil, mulher não pode e delicadeza feminina, enfim entravam em discussão. Era a mais linda vivência #grlpwr.