De mãos dadas

De mãos dadas

Bruna Tiussu

11 Abril 2018 | 20h15

As kids também colocam a mão na massa. Foto: Bright English School


A felicidade de um viajante voluntário não acaba com o fim de sua jornada. A gente volta pra casa, mas continua genuinamente conectado com a experiência vivida, com os projetos em que colaboramos e com as pessoas que marcaram nossa trajetória.

Desde que cheguei no Brasil, converso semanalmente com as kids da Bright School, de Loliondo, Tanzânia — aqui, cabe um viva bem especial à tecnologia! Ao vê-las na telinha do celular, esqueço que estou a dez mil quilômetros de distância delas. Quando querem me contar o que andam estudando ou pedem para ver os “very big buildings” de São Paulo, sinto que plantei mesmo umas sementinhas por lá. São estes momentinhos que chamo de felicidade de viajante voluntário.

Esta semana, posso dizer que senti uma felicidade nada singela, enorme mesmo. Graças à uma campanha de arrecadação de dinheiro que eu e outros voluntários organizamos enquanto estávamos na Bright, a escola pôde enfim começar a erguer as estruturas de seu novo prédio.

No material de construção, o nome de cada colaborador da campanha. Foto: Bright English School

O dinheiro mal chegou lá e eles já estavam com os materiais a postos. Baraka, Juliana, novos voluntários, professores e as kids com a mão na massa para botar de pé este tão sonhado edifício. Sonhado por necessidade, pois a escola hoje gasta muito dinheiro com aluguel e no transporte dos alunos de uma dependência à outra. Com o novo prédio, tudo num terreno só, a economia será gigante.

Acostumados a depender de doações e financiamento externo para melhorar a escola, professores e alunos sabem muito bem que este passo só está sendo possível porque várias pessoas abraçaram a causa. E, num ato simbólico de agradecimento, colaram os nomes de cada doador da campanha num pedaço de material de construção.

Enquanto eles sobem o novo prédio lá, eu fico aqui, na minha euforia de viajante voluntária, sorrindo diante das fotos que registram essa conquista. Fotos que comprovam aquilo que os africanos estão carecas de saber: juntos a gente faz muito mais.

A obra já começou! Foto: Bright English School