Os excêntricos Maasai — parte 1

Os excêntricos Maasai — parte 1

Bruna Tiussu

07 Março 2018 | 13h10

Mulher Maasai em frente sua casa. Foto: Bruna Tiussu

Os Maasai são de longe o povo mais interessante que conheci na África. Não canso de dizer que sortuda eu fui de escolher ajudar um projeto no Norte da Tanzânia, região que é lar desta etnia tão diferente e tão amável.

Foi só no século 17 que eles aqui chegaram. Migraram da área onde hoje é a Etiópia em direção ao sul do Quênia e norte da Tanzânia. Em pouco tempo, dominaram toda a região do Rift Valley, assentando suas bomas — casas típicas de sua cultura — e, mais importante, seu gado.

Para um Maasai, não há nada mais importante que o gado. É a partir da quantidade de cabeças de boi (hoje também de cabras e de ovelhas) que se mede a riqueza de um homem. E é de acordo com essa riqueza que ele vai ter uma, duas, três, quatro ou mais esposas — na maioria dos casos, o casamento ainda tem a cara de negócio, arranjado entre os pais dos jovens.


Quando realmente precisa de dinheiro, o Maasai vai vender um de seus animais. Na vila de Wasso, vizinha de Loliondo, sexta-feira é dia de mercado, então as pessoas para lá rumam carregando sua “mercadoria”.

Quase todos chegam a pé, pois os Maasai também são famosos por serem excelentes andarilhos — seu corpo esguio e as pernas compridas parecem desenhados para isso. Tem gente que percorre um trajeto de mais de seis horas de caminhada. Saem de casa antes do sol nascer, com a chuca (pano Maasai) enrolada no corpo, o cajado de madeira na mão, a faca na cintura, as sandálias feitas de pneu nos pés, as várias bijuterias de miçangas espalhadas por orelhas, pescoço, braços e pernas e o animal do lado. E seguem andando numa velocidade impossível de acompanhar.

Os Maasai também têm língua própria. Alguns sabem falar kiswahili, pouquíssimos dominam o inglês. Ainda sim, convivem pacificamente com todas as demais etnias com as quais dividem território. Em questões do dia a dia e na hora de fazer comércio, sempre dá-se um jeitinho. Afinal, a universal língua da mímica está aí para isso.