Pelas novas gerações

Pelas novas gerações

Bruna Tiussu

22 Março 2018 | 14h34

À Tanzânia, o meu muito obrigado! Foto: Eduardo Asta

A despedida da Bright School teve peso dobrado. Era o fim da minha temporada no projeto — o mais redondinho dos três que vivenciei, o que mais renovou minha esperança por um mundo igualitário —, mais um adeus às kids que já faziam parte da minha vida. Era também o fim da minha jornada voluntária na África. Não haveria outra escola, outro vilarejo, outro povo. Só o voo para o Brasil.

Provavelmente por isso senti o baque uma semana antes da real despedida. Bateu uma tristeza monstra, uma ansiedade doida, uma insônia chata. Mas as kids têm o poder até mesmo de tirar a gente dessa. Elas queriam aproveitar o tempo que ainda tínhamos juntos. Este raciocínio tão simples e certeiro que todos deveríamos ter nestas situações.

Pois bem. Tivemos uma semana linda — e intensa! Rolaram aulas de música, artes e geografia. Bolamos mais jogos de obstáculos usando os materiais que tínhamos à mão: garrafas pet, fita de embrulho, pedras, madeira, argolas feitas com tampas de embalagens, etc. Estudamos juntos, já que as provas estavam chegando. Vimos o seriado preferido deles e dançamos as músicas que adoram. Brincamos de caça ao tesouro, algo que eles não conheciam. E ficamos esticados no chão da escola, falando de futebol e do futuro.


Eram nestes devaneios sobre o amanhã que as kids da Bright School mais me surpreendiam. Vejo-as totalmente interessadas no mundo e se preparando para cair nele. No saldo final, fico muito contente de ter participado, ainda que brevemente, dessa preparação. Apresentar um outro universo às crianças (o meu, no caso), falar sobre gênero, raças, respeito ao próximo, família, entre tantos outros temas, e instigar sua curiosidade para o “diferente” era o que eu tinha de mais valioso para oferecer a elas. E nesta troca de experiências sei que elas ganharam alguma coisa, mas eu — caramba! — ganhei muito mais do que esperava.

Foi pensando nestas kids incríveis, que serão as agentes de uma Tanzânia mais justa, que preparei cada uma dessas atividades nos meus dois meses na Bright — dá um look nesta galeria de fotos especialzinha!

– aulas sobre o amor ao próximo com músicas de Bob Marley e dos Beatles
– aulas comparando o Brasil com a Tanzânia, falando sobre raças, línguas, clima e economia
– aulas de esportes, misturando meninos e meninas
– oficinas de origami e de carnaval
– aulas de inglês com atividades artísticas
– caminhadas para conhecer a região
– piqueniques

E é por causa destas mesmas kids incríveis, de tudo o que elas me ensinaram neste período tão intenso, que volto para a casa muito a fim de me manter perto das novas gerações.