Remoto, mas não esquecido

Remoto, mas não esquecido

Bruna Tiussu

02 Novembro 2017 | 11h55

A futura cozinha da escola (ao fundo), o prédio antigo (verde) e o que está sendo construído (à frente). Foto: Eduardo Asta


Não sou professora de formação e nem tenho filhos, então escola não é um habitat que eu frequento muito quando estou no Brasil. Mas tive a chance de conhecer algumas instituições privadas e públicas durante um curto período em que escrevi sobre educação para este mesmo jornal e também pude visitar escolas rurais e indígenas em viagens pelo País.

Considerando portanto este meu escopo de referências, digo que o Amasiko Greenschool é a escola mais carente de infraestrutura que já vi. Sim, estar em uma zona rural e remota no Sul de Uganda dificulta bastante as coisas.

O primeiro prédio da escola é o mais precário. Feito de madeira, tem quatro salas que acomodam da primeira à quarta série. O chão é de terra e cheio de desníveis, fazendo com que as carteiras “dancem” conforme os alunos se mexem.

Uma sala de aula do prédio antigo. Foto: Eduardo Asta

As salas não têm portas e nem energia elétrica — num dia sem sol os cantos ficam bastante escuros. E as lousas desafiam os professores a escrever desviando dos buracos.

Na parede, lousas cheias de buracos. Foto: Eduardo Asta

Na parte externa ficam os banheiros, de fossa, e o playground que se resume a alguns balanços e uma gangorra num gramado. O espaço também é usado como refeitório, já que a escola ainda não tem um espaço dedicado às refeições.

A cozinha, próximo dali, é uma casinha também de madeira com dois fogões a carvão. Em um deles é preparado o feijão e no outro, o posho — espécie de purê de farinha de milho e água –, almoço diário dos alunos.

Interior da atual cozinha. Foto: Eduardo Asta

Falando assim fica claro que a escola, apesar de recente — foi inaugurada em 2014 –, precisa de várias melhorias. E algumas delas felizmente já estão sendo feitas, graças a doações de parceiros do Amasiko.

Há um prédio em construção — de alvenaria e com portas e janelas — para abrigar algumas classes e uma nova cozinha — também de alvenaria! A ideia é instalar nela um fogão a biogás, que poderá ser produzido utilizando a urina coletada nos banheiros. Bacana, né!

Mas para isso será preciso implantar banheiros ecológicos capazes de armazenar o xixi. Um projeto que já está no papel, porém ainda sem verba para sair dele.

É certo que eu não estarei aqui para ver os alunos usufruindo dessas melhorias. Fico só imaginando a carinha deles diante dos novos espaços.

E fico bem feliz de ver que tem gente aqui e também bem longe trabalhando para que as crianças daqui tenham uma boa escola. Ainda que ela esteja numa zona rural e remota do Sul de Uganda.