Tem, mas acabou

Tem, mas acabou

Bruna Tiussu

07 Dezembro 2017 | 15h11

Cardápios com várias opções, mas cozinhas com poucos ingredientes. Foto: Eduardo Asta

Os restaurantes ugandenses, espalhados nas cidades grandes e médias, querem oferecer o mundo aos seus clientes. Não economizam nos cardápios, que normalmente têm de oito a dez páginas.


Deseja provar um prato do país? Confira a parte de “local specialties”. Quer matar a saudade de uma massa? Está lá a lista de “Italian food”. Caso prefira, há ainda opções indianas, chinesas e uma bela variação dos chamados “continental dishes”.

Tem tudo isso — nos cardápios. Já as cozinhas não estão abastecidas nem com 1/3 dos ingredientes necessários para preparar todos os pratos anunciados. Muitas vezes nem mesmo as receitas locais estão disponíveis. Se juntarmos as opções que de fato podem servir, resumimos os menus das casas a uma página.

Delícias locais: inhame e batata cozidos, arroz temperado, feijão e dodo (legume da família do espinafre)

Daí surge a pergunta: por que não oferecer apenas o que se pode fazer? Minha opinião é que os restaurantes desejam passar uma pinta de casa internacional, com pratos comuns ao paladar do mais viajado comensal. Um lugar onde você, turista, encontra conforto gastronômico.

Pois eles desconhecem que queremos mesmo é provar a culinária ugandense. Comida de raiz. Receitas passadas por gerações e que são parte importantíssima da cultura da nação.

Feito de farinha de painço, o kalo é uma comida tradicional da região Oeste de Uganda. Foto: Bruna Tiussu

Quando um restaurante consegue servir um katogo que leva matoke, um kalo (espécie de fufu feito com farinha de painço, para se “molhar” em sopas ou cozidos) bem feitinho ou inhame cozido no ponto exato, a gente saliva. Come com gosto e ainda pede a receita. Esse é o melhor conforto gastronômico que um restô ugandense pode entregar.

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