Upgrade gastronômico

Upgrade gastronômico

Bruna Tiussu

26 Outubro 2017 | 06h55

Nova fruta na minha lista de preferidas: tree-tomato. Foto: Eduardo Asta


Eu troco de país e levo comigo o hábito de procurar comidas locais — vamos lá, estômago! Aqui em Uganda, a primeira prova foi logo que cheguei em Kampala. Num mercado aberto comprei um rolex, a comida de rua mais famosa daqui.

Rolex porque é um “roll”: eles pegam o chapati (pão estilo wrap), recheiam com omelete, repolho, tomate e cebola e depois enrolam isso tudo ao estilo de uma panqueca. É delícia e serve pro café da manhã, almoço ou jantar.

O famoso rolex ugandense. Foto: Bruna Tiussu

Ali também experimentei a banana beer, cerveja caseira que fazem com sorgo e banana. Me explicaram que não a deixam muito alcoólica para poderem beber mais e é a opção mais barata para confraternizar entre amigos. Cada um tem sua jarrona de plástico cheia de cerveja e todos a tomam na temperatura ambiente — o que tira bastante a graça da coisa, fato.

Já aqui no mato, no Amasiko, tenho a sorte de ter a Josi no comando da cozinha. Diferentemente de Gana, aonde almoçava diariamente o arroz com molho picante servido às crianças da escola, aqui tenho variedades em todas as refeições. Foi um belo upgrade gastronômico, eu diria.

Josi é de Ruanda, mas muitas receitas de lá são as mesmas daqui. Como o katogo, um refogadão que tem como principais ingredientes a banana (de novo ela!) e o matoke, um tipo de banana que eu nunca havia visto antes. O prato leva ainda feijão, batata, cenoura e tomate.

O primeiro katogo a gente não esquece. Foto: Eduardo Asta

Outra receita ugandense que ela faz e eu piro é o molho de amendoim. Ela usa peanut butter caseira no preparo, junto com verduras picadas e temperos variados. Serve para massas, carne e frango. Fico pensando porque os ganenses não têm essa receita, já que fazem a melhor peanut butter que já provei.

Quase à semelhança do fufu ganense, Uganda tem o posho. Ele nada mais é do que farinha de milho cozida com água e servida tipo um purê mais consistente. Também come-se com as mãos, como o fufu, molhando um pedaço num molho qualquer ou no feijão — na escola, por exemplo, o almoço diário é feijão com posho.

Feijão com posho é o almoço servido na escola. Foto: Bruna Tiussu

Estar no mato também tem a vantagem de ter frutas e verduras fresquinhas, cultivadas na horta orgânica do Amasiko. Das novas verduras a que mais curti foi o amaranto (também temos no Brasil, mas não me lembro de ter já comido), uma folha bem gostosa quando refogada.

Tree-tomato: pra comer de colher. Foto: Eduardo Asta

Mas as frutas são novamente imbatíveis. O abacaxi daqui é sempre grande e sempre doce. O papaia, idem. O maracujá, apesar de menor que o nosso e de coloração verde, é quase mel. E as terras ugandeses também dão o tree-tomato — o Google me disse que no Brasil é chamado de tomate-maracujá, mas, de novo, eu  nunca havia visto. A frutinha, também doce, é de se comer de colher, como o maracujá. Já entrou para minha lista das favoritas e vou dar um jeito de levar umas sementes delas na mala comigo para o Brasil. Vai que o Google tá certo e a planta vinga por lá, né?!