Velhos sonhos, novas histórias

Camila Anauate

17 Julho 2017 | 14h57

Em algum momento da vida a gente pisa no freio. Sai do automático, desliga o motor, mas não se encontra no lugar onde está. A gente para – ou é parado – por muitos motivos, leva um tempo entender, mas exatamente nesse ponto nos enchemos de coragem para escolher novos caminhos. Os nossos são movidos a paixões antigas: viajar, experimentar, escrever e ajudar o próximo.

Assim, num momento recente de nossas vidas, decidimos seguir velhos sonhos e viver novas histórias. Duas jornalistas, duas regiões que gritam desde sempre por socorro, vários projetos de ajuda social e humanitária. Aqui começamos uma jornada linda pela África, pelo Oriente Médio e para dentro de nós mesmas.

Neste espaço, vamos contar nossas alegrias, aflições e aprendizados sendo viajantes voluntárias.

As nossas causas são muitas e diferentes. A gravíssima crise dos refugiados no mundo todo, em especial no Oriente Médio. E as enormes lacunas educacionais na África, mais especificamente em Gana, Uganda e Tanzânia.

Nosso destino no Oriente Médio é a Jordânia, um dos países que mais acolhem refugiados no mundo – o governo local fala hoje em 3 milhões. Cerca de 300 mil estão em campos da ONU, onde têm certa estrutura e onde civis não entram. A maioria, no entanto, vive em áreas urbanas espalhadas pelo país, sem o apoio necessário para sobreviver.

Uma delas é onde estamos hoje, Fuheis, a cerca de 20 km da capital Amã. Estima-se que só nesse vilarejo haja 9 mil refugiados, em sua maioria iraquianos cristãos e sírios muçulmanos. No nosso projeto, 1.200 famílias recebem ajuda – de questões burocráticas a aulas de artesanato e inglês – e muito amor.

Já na África, nossa jornada se dividirá em períodos em Gana, Uganda e Tanzânia, países democraticamente estáveis e em constante crescimento, mas ainda com profundas dificuldades para prover uma boa educação às suas crianças.

Começamos essa aventura no subúrbio da cidade de Kumasi, a segunda maior de Gana – são 1,5 milhão de habitantes –, em uma escola privada que depende de professores voluntários e doações. O desafio é dar aulas de inglês, artes, geografia, entre outras, para as 90 crianças, entre 3 e 10 anos, que ali passam quase o dia inteiro em busca de conhecimento.

Aqui, damos novamente partida. Já nos encontramos em algum lugar. Caímos no mundo levando na mala generosidade, compaixão e muita vontade de ajudar. Esperamos transformar, inspirar, abalar – e, claro, aceitar tudo isso de volta.

Venha conosco! Que as nossas (e as tuas) causas também te levem além.

Bruna Tiussu e Camila Anauate

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