We are carnaval

We are carnaval

Bruna Tiussu

13 Fevereiro 2018 | 10h11

Folião usa máscara e adereços feitos de papel e fita. Foto: Eduardo Asta

Fevereiro chegou e trouxe consigo mil fotos de amigos fantasiados e purpurinados colorindo e alegrando as ruas do Brasil-sil. Deu uma saudade do carnaval que eu não imaginei que sentiria. Resolvi, então, contar sobre essa festa linda para os alunos da Bright School e organizar uma folia com eles. Afinal, tô aqui para ensinar as coisas importantes da vida.


No domingo de carnaval, nossa oficina começou com uma seleção de imagens de bloquinhos, escolas de samba e foliões brasileiros. Tentei mostrar nossa gente diversa — quando viam negros, eles diziam, surpresos: “it’s like Africa!” –, nossos instrumentos musicais tão similares aos deles e as crianças como parte integrante da festa.

Depois, dei máscaras feitas de cartolina para colorirem — a ideia inicial era deixá-los cortar as máscaras, mas tive de entregá-las prontas por falta de tesouras: eu consegui comprar só três. Dei também pedaços de fitas de embrulho e de papéis para que fizessem pulseiras, colares e pingentes. Foi o material que consegui encontrar nas lojas daqui.

Cada um coloriu a sua máscara. Foto: Eduardo Asta

As fotos me ajudaram a explicar ainda que nosso carnaval não faz distinção. Vale maquiagem, saia, meia-calça e maiô seja você homem, seja você mulher. Assim como deve ser na vida. Eles acharam tudo muito engraçado, mas não conseguem visualizar a coisa como possível no mundo real. Apesar da escola ser mista, em qualquer oportunidade já se separam em meninas para um lado e meninos para o outro. Porém, ofereci passar batom em quem quisesse e só três meninos se recusaram. Achei um bom sinal.

Toda despreparada, trouxe apenas um lápis de olho preto, que de nada me serviria para enfeitar as kids daqui, obviamente. O jeito foi me virar com uma pomada Caladril: finalizei a maquiagem facial de quem quis com bolinhas e traços no rosto.

Batom e caladril para maquiar as kids. Foto: Eduardo Asta

Pronto. Nosso bloco composto de 40 kids já podia sair para a rua. Na trilha sonora, uma playlist feita para eles, com uma mistureba de artistas da Tanzânia que adoram, um pouco de Bob Marley que curtem também e Macarena, pois ensinei-os a dançar e agora eles pedem em looping.

O melhor bloco carnavalesco de toda a Tanzânia. Foto: Eduardo Asta

Foi lindo vê-los se divertir num domingo, quando normalmente parte do dia é gasto com tarefas domésticas. Foi ainda mais especial vê-los cantar e dançar juntos, curtir suas máscaras e adereços bem como fazemos no Brasil. Perto de encerrar a festa, eles já pediam: “Teacher, can we have more carnival next weekend?” Se depender de mim, sim. Só lamento não ter colocado glitter na mochila.