Amazônia Profunda: possível confronto entre korubo e matís sinaliza urgência no Vale do Javari

Amazônia Profunda: possível confronto entre korubo e matís sinaliza urgência no Vale do Javari

Paulina Chamorro

08 Dezembro 2014 | 19h48

A maneira mais rápida de disseminar o que está acontecendo neste começo de dezembro no Vale do Javari, AM, é replicando o Informe da UNIVAJA- União dos Povos Indígenas do Vale do Javari que recebi, sobre o caso envolvendo dos korubo  que fizeram contato este ano.

De acordo com a UNIVAJA, korubo isolados atacaram dois matís em represália ao sumiço do grupo, que na verdade estava em quarentena, de acordo com estratégia da FUNAI para protege-los. E agora, neste momento, existem 30 matís no meio do Territorio Indigena do Vale do Javari buscando represália aos korubo.

A União dos Povos Indigenas do Vale do Javari pede apoio para “contatar o restante do grupo para proteger a integridade física, visando evitar novos confrontos com os Matís e em mínimo de tempo a FUNAI disponibilizar e garantir de forma imediata o contingente de pessoal para atender a demanda das atividades referente aos indígenas isolados do Rio Itaquaí e Ituí;

Contratação em regime especial, novos funcionários para Coordenação Regional do Vale do Javari, para atuarem de forma constante na região de aparecimento dos índios isolados com barco volante;


Garantir estruturas físicas nas referências do Rio Curuçá, Quixito, Jandiatuba, base da confluência do Rio Itaquaí e Ituí;

Garantir insumos para ação de vigilância permanente pela FUNAI, bem como marcar presença nas comunidades Matís para monitoramento dos Kurúbo;

Uma urgência audiência pública com Ministério Público Federal em Tabatinga e a FUNAI, para discutir e definir um plano estratégico de ações, visando à proteção dos povos indígenas isolados.”

Já falei algumas vezes sobre o Território Indígena Vale do Javari e o projeto ‘Tribes on the Edge’, de Celine Cousteau, do qual sou produtora no Brasil. O descaso com a saúde indígena e com este território considerado uma umas das dez áreas insubstituível no mundo pela IUCN é histórico . E pelos relatos a seguir, o futuro desta importante região, cultural e ambientalmente diversa, tende a piorar.
Veja o teaser do projeto aqui
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A nota completa:

Informe nº. 006/AMAS/2014

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari – UNIVAJA, organização representativa dos povos indígenas do Vale do Javari, estará encaminha nesta segunda feira dias 08.12.214, a Procuradoria da República em Tabatinga – AM, com cópia ao presidente da FUNAI, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB – AM, coordenação de articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB-DF; Conselho Indigenista Missionário – CIMI uma denúncia do descaso da ação indigenista que resultou em confrontos Inter étnicos entre a etnia Matís e Kurúbo na aldeia DODOAK, rio Coari, terra indígena Vale do Javari.
 
Segundo a UNIVAJA, o fato ocorreu no dia 05 de dezembro por volta das 09 horas da manhã, onde dois Matís por nome de Dame e Pixi foram mortos a bordunados. Segundo o argumento dos Matís é que os Kurúbo foram motivados a atacar pelo desaparecimento do Subgrupo, conforme relatado na Nota da UNIVAJA.  Estes subgrupos trazidos para o período de quarentena na Base de vigilância da Frente Etnoambiental da FUNAI na confluência do Rio Itaquaí e Ituí, depois foram levados para aldeia dos Kurúbo de recente contato ao invés de ser devolvido ao local, onde estava o restante do seu grupo.
 
O ataque resultou em uma das grandes revoltas ao povo Matís que se organizaram entre 30 guerreiros para revidar as mortes de seus membros. Neste momento não há qualquer informação a respeito destes 30 Matís que seguiram ao ataque contra os Kurúbo.
 
Essa situação, já vem sendo alertada através das Notas e ofícios da UNIVAJA, que tem indígenas isolados chegando em quase todas as comunidades dos que já são contatados e que precisava uma ação de vigilância permanentes com estrutura adequada sobre índios isolados da tutela da FUNAI, bem como precisava melhor proteção do próprio território, com condições financeiros e um quadro de pessoal, para operacionalização de atividades, do abandono de postos de vigilâncias.
 
Tendo em vista de não ser atendidas, o que chegou a esse fato, a UNIVAJA pede ao Ministério Público que acatasse a denúncia para efetivação das ações referente a uma situação tão delicada que está se vivenciando nesse momento, onde os outros povos estão preocupados com a sobrevivência do povo Kurúbo e dos Matís. E pede agilidade na proposta:
 
Contatar o restante do grupo para proteger a integridade física, visando evitar novos confrontos com os Matís e em mínimo de tempo a FUNAI disponibilizar e garantir de forma imediata o contingente de pessoal para atender a demanda das atividades referente aos indígenas isolados do Rio Itaquaí e Ituí;
Contratação em regime especial, novos funcionários para Coordenação Regional do Vale do Javari, para atuarem de forma constante na região de aparecimento dos índios isolados com barco volante;
Garantir estruturas físicas nas referências do Rio Curuçá, Quixito, Jandiatuba, base da confluência do Rio Itaquaí e Ituí; Garantir insumos para ação de vigilância permanente pela FUNAI, bem como marcar presença nas comunidades Matís para monitoramento dos Kurúbo;
Uma urgência audiência pública com Ministério Público Federal em Tabatinga e a FUNAI, para discutir e definir um plano estratégico de ações, visando à proteção dos povos indígenas isolados.
 E definiu uma GT da UNIVAJA, composto por membros de todas as associações de cada povos para uma visita de solidariedade, como forma de iniciar um diálogo com os Matís para possível sensibilização entre os grupos.
Para essa missão, a UNIVAJA pede apoio dos organismos governamentais e não governamentais para apoio as aquisições de insumos e transportes para marcarem presença na comunidade TODOAK do povos Matís local da ocorrência, a fim de evitar mais confrontos entre os dois povos.