Países anunciam áreas protegidas e investimentos no Congresso Internacional Our Ocean-Nuestro Oceano

Países anunciam áreas protegidas e investimentos no Congresso Internacional Our Ocean-Nuestro Oceano

Paulina Chamorro

12 Outubro 2015 | 20h49

Viña del Mar, no Chile (foto: Paulina Chamorro)

Viña del Mar, no Chile (foto: Paulina Chamorro)

Por dois dias deste outubro em Viña del Mar, um balneário famoso no litoral chileno, ao lado da histórica cidade de Valparaiso, autoridades mundiais, pesquisadores e especialistas de 56 países realizaram um debate para anunciar compromissos pelos oceanos. Fizeram parte do Congresso Internacional Our Ocean – Nuestro Oceano temas relevantes como a acidificação dos oceanos, a poluição pelo plástico, sobre pesca e áreas protegidas.

A iniciativa, em sua segunda edição, foi organizada pelos governos dos Estados Unidos e do Chile e contou com painéis com temas poderosos e a participação das principais autoridades dos dois países, como o secretário de Estado norte-americano John Kerry e o Ministro de Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, além de ministros de meio ambiente de diversos países..

Por dois dias mais de 80 acordos foram anunciados, somando investimentos em pesquisa, criação de áreas protegidas e medidas contra a sobre pesca, em mais de 2 bilhões de dólares.


Dentre os anúncios importantes, a criação de áreas marinhas protegidas mostra a relevância dos oceanos para todos os países participantes, preocupação que vai na contramão das políticas brasileiras sobre esse tema. No total são mais de 1,9 milhões de km² de áreas marinhas que passam a ter proteção especial. Nenhuma no Brasil.

A seguir uma entrevista com Justin Thomas, porta-voz de Estado dos Estados Unidos, especial para o blog Vias Alterlatinas. Na conversa destaca a importância do tema para o país e a preocupação do presidente Obama em mudar a imagem dos Estados Unidos como um país que se preocupa sim com o meio ambiente: ¨como um dos países que mais produzem certos gases que afetam negativamente, sabemos que temos que liderar nesta área e estamos lutando por isso¨.

 

Porque Chile e Estados Unidos organizam um evento voltado para os oceanos?

Como muitos sabem, o meio ambiente é um tema muito importe para o presidente Obama. Ele está lançando várias iniciativas nos EUA para melhorar a nossa relação com o meio ambiente e reduzir as emissões. Dessa ideia, o secretário de Estado John Kerry (presente no evento no Chile), que é outra autoridade preocupada com o meio ambiente, decidiu que queria falar dos oceanos como parte fundamental desse processo. Sabemos que o clima está diretamente relacionado com a saúde do mar. E por isso o evento chama Nosso oceano, como uma coisa só. Sabemos que o acontece em um lugar do mundo influencia o oceano em outras partes. E todos temos a responsabilidade para com a saúde dos oceanos.

Este encontro já nasceu com uma agenda?

Na primeira reunião no ano passado, foram contemplados 3 temas principais, que são os mesmos aqui no Chile: poluição por plástico, acidificação e sobre pesca. Estamos tentando discutir com a sociedade civil e com o setor privado estes três temas. Sabemos que é necessária a ação dos governos de todos os países, mas ao mesmo tempo a sociedade civil e setor privado tem que participar porque eles são a solução para alguns destes desafios.

No primeiro dia tivemos anúncios importantes de novas áreas protegidas. A União Europeia anunciou investimento de US$700 milhões para pesquisas em pesca sustentável. Mas faltam menos de 2 meses para a convecção do clima e os países já apresentaram suas metas de redução de emissões. Como incluir de uma maneira mais evidente a proteção dos oceanos como parte destas metas?

Sobre as reservas marinhas, na conferência do ano passado foi criada a maior reserva marinha do mundo. É no Pacifico-centro-sur, são ilhas remotas, mas tem uma biodiversidade incrível (Pacific Remote Islands Marine National Monument).

Este ano o Chile reconhece a importantes das áreas protegidas também e anunciou 3 reservas marinhas, sendo que uma é a maior da América Latina (Parque Marino Nazca-Desventuradas, com mais de 114 mil km²).

Sobre o clima e os oceanos: para os Estados Unidos sabemos que a mudança climática está diretamente está ligada aos oceanos. Eles funcionam como um recipiente que absorve 30% do dióxido de carbono. Quanto mais gases o ser humano produz, mais ácido fica o mar. É um processo científico, reconhecido, mas poucos sabem desta relação.

A mudança climática está afetando a saúde dos mares, dos recifes, de várias espécies de vida marinha.

Queremos mostrar para o mundo esta relação direta ‘clima – oceanos’.

OS EUA estão muito comprometidos em levar muitas ideias a Paris e concluir um acordo bom, com visão de longo prazo, uma visão que abarque todos os países comprometidos. Estamos agora no processo de dialogar com todos as nações que estarão representadas em Paris e falar quais serão nossas metas. Mas garanto que os EUA estão trabalhando firme para levar boas soluções. Já tivemos o anuncio com a China, outro grande país poluidor.

Temos muita vontade de reduzir nossas emissões, sabemos que temos que liderar.

Como um dos países que mais produzem certos gases que afetam negativamente, sabemos que temos que liderar nesta área e estamos lutando por isso.

O presidente Obama tem muito interesse em levar esta perspectiva de mais sustentabilidade para o mundo e de reformar a maneira que o mundo vê os Estados Unidos. Somos um país que sim se preocupa com o meio ambiente.

Podemos dizer que combater a acidificação, ter mais áreas protegidas, e combater a poluição,  se está trabalhando pelo clima?

O clima e o mar são um só sistema. O que está no ar afeta o que está na agua e vice-versa. O ser humano depende do oceano por conta da proteína que fornece e porque são responsáveis por 50% do oxigênio que a gente respira. É muito importante que o oceano esteja saudável.

A questão de o oceano ser uma coisa só também favorece para ser considerado território de ninguém, principalmente pelo lado econômico. Temos graves problema com a sobre pesca, afetando e degradando grandes estoques pesqueiros. Como os Estados Unidos vem este problema?

Uma das campanhas dos EUA é garantir os recursos do mar para o futuro, dependemos desta indústria para comer, e muitas pessoas vivem da pesca, mas tem que ser sustentável.

Os EUA estão liderando uma campanha que está tentando implantar novas tecnologias que podem ser usadas para monitorar a pesca e garantir para o consumo que o peixe que está comendo foi realmente pescado de forma legal e responsável.

Tem que saber qual é a espécie que vendem e se este peixe foi capturado de forma sustentável, sem afetar outras espécies.Também tem a ver com a redes usadas. E também tem a ver com o estoque, com o número de peixes capturados legalmente.

Isto é um esforço internacional enorme, porque muitas vezes a pesca é feita em aguas internacionais, e os países tem dificuldade de monitorar.

Por isso as novas tecnologias serão muito importantes nisso. E como um país que lideram em tecnologia, os Estados Unidos podem fazer muito também para incorporar a tecnologia nesta luta contra a sobre pesca.

De que maneira seria este monitoramento e onde apresentar uma proposta como esta?

Um ponto muito importante para o país é que esta conferencia não fosse apenas para os países falarem de problemas, mas sim propor soluções. Os Estados Unidos têm um programa anunciado no Chile chamado Sea Scout, que é para ligar os esforços da Marinha americana às novas tecnologias do setor privado para monitorar a captura do peixe até chegar ao prato do consumidor. Onde o peixe for vendido e onde o peixe for comprado se saberá se veio de uma pesca sustentável.

Os consumidores têm um papel fundamental: desde a redução do consumo e reciclagem do plástico, até saber o peixe que compramos no mercado. O governo pode fazer algo, o setor privado pode fazer algo e também nós, como consumidores podemos fazer a nossa parte.

Nos EUA já existe?

A tecnologia já existe e estamos estudando em como e onde implantar. Mas a nossa meta é que todo o setor de pesca seja monitorado para garantir que a pesca seja sustentável.

 

Para saber mais sobre o evento acesse: http://www.nuestrooceano2015.gob.cl/