Pela neve da Araucanía chilena

Pela neve da Araucanía chilena

Paulina Chamorro

29 Junho 2017 | 22h30

Começou a temporada de esqui e snowboard no Chile e na Argentina. Não vou falar de lugares e estações já bem conhecidos dos turistas brasileiros como Bariloche, Valle Nevado, Colorado, Chillán… Tem ótimas matérias aqui do Viagem Estadão!

A ideia aqui é compartilhar uma experiência um pouco diferente que une trekking, muita neve e cultura regional. Lá no Chile.

No ano passado estive exatamente nesta época na região da Araucania chilena, há 12 horas de carro de Santiago. Passei uns dias na região ao largo da cidade de Lonquimay, com base fincada na pequena Malalcahuello. A partir dali percorri o Parque Nacional de Conguillio e arredores, além da bela estação de Sky Corralco.


Essas cidades revelam presentes que só os pequenos lugares podem oferecer, como aquelas comidinhas típicas… sempre um chá quente e um pão caseiro. Cercados pelas impressionantes montanhas repletas de vulcões e cachoeiras, passar uma semana curtindo a natureza por ali é um privilégio para quem quer sair do trivial no meu país.

É importante reforçar que esta região tem um potencial tremendo em todas as épocas do ano, justamente pela possibilidade do treeking, cavalgada e pesca no verão, primavera e outono, como de atividades na neve, no inverno.

Além de destacar alguns pontos altos da minha última viagem, aqui vai a primeira dica: procure se hospedar em Malalcahuello, aos pés do vulcão Lonquimay.

Vambora:

Cascata del Indio

Pela estrada que liga Caracautín a Lonquimay está o Parque del Salto del Indio, com passarelas para percorrer pelos rios e quedas águas. O ponto alto é a própria Cascata Salto Del Indio, com 30 metros de altura que agita as águas geladas do Rio Indio na junção com o Rio Cautin.

A cascata fica dentro de uma área particular de camping. Alguns poucos pesos pagos na entrada, uma caminhadinha pelas trilhas no meio da mata e o turista encontra esta espetacular queda d’água congelante.

Quer passar a noite por ali? É só alugar as cabanas em meio a um lindo bosque nativo. E embalar o sono ao som das águas do Rio Indio.

http://www.parquelemunantu.cl/

Uma das muitas cachoeiras da região

Parque Nacional de Conguillio

Adoro visitar Parques. E os do Chile são muito bons em sinalizações, refúgio e atendimento. Sair cedinho para seguir o mapa e encontrar os diferentes pontos de parada vale muito a pena. Destaco o vulcão Llaima. Fiz de carro até o começo da subida até a base do Llaima.

Tem muitos pontos de descanso pelo parque, onde é possível fazer pequenas trilhas por bosques de árvores centenárias e lagos, obviamente congelados nesta época.

http://www.conaf.cl/parques/parque-nacional-conguillio/

Por dentro do congelante Parque Nacional Conguillio

Lonquimay

Esta cidade é recorrente na televisão chilena no inverno por, literalmente, congelar. Quando estive em 2016 durante muitas vezes os canos com água nas casas congelam à noite e no dia seguinte é quase impossível ter água. Além de encontrar todos os serviços necessários como posto de gasolina, farmácia, restaurante, também é possível dar uma escapada até os alagados, ao lado de Lonquimay, e fazer atividades pouco convencionais como birdwatching. Por ali é forte a presença mapuche, os indígenas chilenos. Toda a região da Araucania foi território Mapuche e hoje é símbolo de resistência pelos direitos a suas terras.

Lonquimay

O turista tem a chance de conhecer a cultura e o artesanato mapuche ali na cidade mesmo e também em vários sítios a partir de Lonquimay.

Bosques!

Sou suspeita para falar, mas esta é uma região de beleza extrema, cultura preservada, não à toa considerada uma Reserva da Biosfera pela Unesco.

Gastronomia

É nesta região que se inicia uma forte influência alemã, traduzida pelos doces. Por exemplo, a cuca conhecida no Brasil, no Chile chama kuchen (se pronuncia kuhen). Até parece que o friozinho dá a dica pra você: “prova um kuchen, vai”.

Outra dica: nunca perca a hora do almoço se estiver fora do Hotel. Essas comunidades levam a sério o horário de comer. Depois das 14h vai ser difícil encontrar restaurantes abertos. Para não ser surpreendido, leve sempre um lanche na mochila.

Sabem como é: frio+atividade física= muita fome!

 

 

 

 

 

Fiz uma seleção musical ligada ao frio. E pedi ajuda ao fotógrafo Rodrigo Baleia, que além de percorrer muito estas latitudes, tem um ótimo gosto musical. Siga a Playlist Vias Alterlatinas no Spotify. Ligue o som e viaje comigo em cada post.