Treeking pelas alturas patagônicas

Treeking pelas alturas patagônicas

Na Patagônia Chilena o trekking até a base das Torres del Paine é o passeio que nenhum aventureiro pode deixar de fazer.

Paulina Chamorro

02 Dezembro 2011 | 14h39

Viajar até os confins da América do Sul para chegar ao Parque Nacional Torres Del Paine, ali no fim do Chile, e não se aventurar a subir até a base das torres é como comprar ingresso pro show da sua banda preferida, ir até o local mas não assistir ao espetáculo.
Indiscutivelmente esse é um dos melhores atrativos para aventureiros em Torres Del Paine, e eu não perdi essa oportunidade.
Esse treeking da base da montanha até as torres é para poucos. Os mais preparados encaram fácil a caminhada que pode durar até 9 horas (ida e volta), dependendo das condições climáticas muito instáveis na região. O Hotel Las Torres oferece um passeio interessante e mais fácil para os iniciantes: metade do caminho a cavalo e seguindo a pé até o sonhado ponto final.
É uma caminhada de alto impacto, com alguns trechos difíceis nas trilhas dentro da floresta, passando por desfiladeiros que podem causar vertigens aos desavisados, com ventos muito fortes. No último pedaço da caminhada, o desafio final: uma subida íngreme em meio as enormes pedras soltas que compõem o maciço da montanha.
A paisagem do trajeto é deslumbrante, tomada por umas flores patagônicas bem vermelhas, chamadas ciruelillos.
Saí do Hotel Las Torres e fiz o passeio com um grupo de 6 pessoas a cavalo, que durou 7 horas e foi super agradável, pois o dia estava lindo e tomar contato com essa tradição Magalhânica – os baquedanos, ou condutores dos cavalos por aquela região – é outra experiência que vale o ingresso.

O início da trilha fica na base da montanha Almirante Nieto. Então, estando ou não acampado no refúgio ou hospedado no Hotel, o desafio de chegar nas Torres passa por ali de qualquer jeito.
Voltando ao treeking até a base das Torres del Paine, o passeio a cavalo começa devagar, mas aos 200 metros de altitude um vento constante e muito gelado acompanha, e às vezes empurra os aventureiros. Primeira parada, Refugio ‘El Chileno’, onde deixamos os cavalos e seguimos a pé, o trecho final, mais íngreme, já na área pública do Parque Nacional.

A paisagem é maravilhosa, com rios cortando o vale, nascentes na floresta, árvores e plantas que resistem o clima duro da região. Não há tempo para paradas, pois o frio é grande e o corpo não pode perder o ritmo – nem o calor. Nessa parte final vi passar pelo menos 10 grupos de pessoas, já no descenso, todos na sua maioria europeus e japoneses! E todos nos saudaram com o “Hola”, em espanhol, num ambiente de cordialidade entre todos os povos.


Nos metros finais, (a montanha de pedras soltas, cortada e aparada pelo movimento de derretimento dos glaciares há milhares de anos), já é possível visualizar as imponentes pontas da Torres. Quando se chega, finalmente, você torce para que um vento limpe as nuvens e abra o espetáculo para seus olhos. As 3 Torres estão lá, e aos pés um lago formado pelo derretimento da neve.


Momento de contemplação, fotos e agradecer por ainda ter possibilidade de ver espetáculos como este na Terra.


E como se diz no Brasil, para descer, todo santo ajuda!

Para saber mais dos passeios na Patagônia chilena, acesse também www.lastorres.com, www.fantasticosur.com