Conexión! Um papo sobre interconexões ambientais na Amazônia peruana

Conexión! Um papo sobre interconexões ambientais na Amazônia peruana

Uma entrevista com a ambientalista, Yolanda Kakabadse na Amazônia peruana. Para ela, o termo "mudança climática" está errado. É crise mesmo!

Paulina Chamorro

16 Janeiro 2013 | 11h00

Deixando  um pouco  a música latina de lado….vamos hablar de medio ambiente!
Em dezembro estive na Amazônia peruana ( Região de Madre de Dios, Puerto Maldonado), participando de uma espécie de curso,  chamado ‘Diálogo Amazónico para periodistas- Herramientas para el análisis del contexto amazônico’.
Com participação de profissionais dos países andinos-amazonicos  Perú, Bolívia, Equador e Colômbia, eu representava dois países : Brasil e Chile. Mas estava por lá pela minha atuação  no  Brasil como  profissional de comunicação, especializada em meio ambiente.
E o Chile, pois bem, é minha pátria mãe.
Mas vamos ao Diálogo em si, que achei extremamente produtiva e mesmo passado mais de um mês ainda estou  usando muito  material nos programas que apresento nas Radios Eldorado ( 107,3) e Estadão ( 92,9). Foi uma inicitiava do Instituto Prensa y Sociedad –IPYS, do Perú,  da CDKN- Alianza Clima y Desarrollo, USAID  del pueblo de los Estados Unidos de America , CSF  e ICAA- Iniciativa para la Conservación en la Amazónia Andina.
Instituições de comunicação e ONGs de meio ambiente, que estão  preocupadas de formar jornalistas com uma capacidade de entender as questões amazônicas com um olhar mais abrangente e transversal.
Bom, neste pots separei  uma entrevista que fiz com Yolanda Kakabadse,  ex-ministra de meio ambiente do Equador,  diretora para América Latina e Caribe da CDKN-Alianza Clima y Desarrollo e presidente da WWF internacional e ambientalista  importante  que há décadas ajuda na costura de  negociações em reuniões da ONU,
Uma mulher esclarecida e objetiva quando se trata de explicar o conceito de ajuda que o CDKN oferece: estudar, compreender e replicar informações ambientais, sempre de olho  na segurança alimentar, humana e energética.

foto:almamagazine.com

Ela costuma dizer que não há mudança climática, mas sim uma crise climática. E é este o gancho que uso para o começo de nossa conversa :
Paulina Chamorro: Por que prefere usar o termo crise climática, em vez de mudança climática.
Yolanda Kakabadse: Porque a palavra mudança remete a algo positivo. Não é uma palavra que vem como uma mensagem de alerta imediato, que as coisas estão mal.
Eu acredito que é uma dos problemas de porque o público não  entende porque estamos  tão  preocupados se estamos usando uma palavra positiva.
PC: Você nos disse que das várias interconexões que existem nas ações sobre a natureza, e que a crise climática trará problemas na saúde humana, principalmente nos mais pobres. Qual foi o método que a CDKN descobriu para chegar a estas interconexões.
YK: Nosso trabalho é nos aproximarmos aos centros acadêmicos, governos, centros especializado de trabalho, recolher a informação existente e procurar se existe ou não uma causa e efeito no  uso  dos recursos naturais, renováveis e não  renováveis, tendo  presente o tema da segurança alimentar.
Queremos nos concentrar na segurança humana, ou seja, saúde, segurança hídrica, segurança energética e segurança alimentar. Que acredito que sejam as mais importantes. Se encontrarmos suficiente informação que sustente nossa hipótese de que o mau uso  dos recursos é uma ameaça a segurança regional de América do sul, então  vamos  fazer propostas aos países amazônicos, para definir política públicas que possam reduzir os impactos, melhorando a situação  da região ou aprimorar a prevenção.
PC: Em muitos países, principalmente na América do sul, quem tem maior poder de consumo, são os que também têm acesso a informações. E é sabido que quem mais sofre com a crise climática são os mais pobres. Que sugestões você pode dar para a imprensa  para melhorar esta situação?
YK: Devemos evidenciar os grupos  mais vulneráveis. Num centro urbano são os bairros marginais, que geralmente estão em áreas onde não há verde, onde há enchentes, trombas d´água e não tem serviços médicos. Estes grupos marginais urbanos são muito importantes.
E também evidenciar populações mais afastadas dos centros de poder (as populações tradicionais).  Os governos não têm sido muito eficazes na descentralização da gestão política e é claro que as populações mais afastadas não estão fazendo parte no mapa política do país. E estas populações muitas vezes enfrentam dramas muito fortes que afetam sua economia, comportamento e qualidade de vida e cultura. Mas também devemos reconhecer que estas populações indígenas ou locais sempre se adaptaram à mudança. E muitas vezes eles têm mais sabedoria em como enfrentar as mudanças climáticas do que nós, ‘urbanos’. E temos que aprender com eles, por exemplo, sobre sistemas de irrigação e sistemas de coleta de água. Comunidades indígenas andinas têm uma sabedoria fantástica sobre estes temas.
PC: Os países andinos já sofrem com a falta de água e você associa com um futuro com sérios problemas para a saúde humana.  E não se tem feito muita coisa no sentido da prevenção.  Também lembra que as Nações Unidas assumiram que a paz mundial está ameaçada pelas mudanças climáticas. Ou seja, como estas urgências ainda acredita que dá tempo de fazer alguma coisa para amenizar as mudanças climáticas?
YK: Eu acredito que sempre devemos ser otimistas em reconhecer que nós temos uma responsabilidade em agir. Se pensarmos que é muito tarde, todo mundo ficaria de braços cruzados e não haveria mudança nenhuma. Acredito que é uma obrigação moral de nossas gerações. O importante é que as pessoas estejam informadas para saber como agir com estas mudanças. Alguns são irreversíveis, outros que vamos demorar mais de século para reverter, ou não são reversíveis. Mas devemos saber o que fazer, como agir, como nos adaptamos para estas mudanças climáticas e saber quais alternativas e oportunidades existem.
Por exemplo, pode ser que uma colheita de produtores tradicionais fique destruída, mas outras sementes que vem de outras latitudes podem ser mais efetivas neste ambiente, nesta nova condição climática.
Devemos que buscar outras possibilidades para ter outras soluções, para que não sejam sempre os mais pobres os que sofrem.
PC: Que percepção têm dos governos latino americanos com atitudes proativa ?
YK: Saber porque valorizam nosso projeto? Porque não chegamos com receitas, mas chegamos à autoridade responsável seja de El Salvador, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia e perguntamos: do quê precisa? Quais são os vácuos de informações que vocês têm que faltam para a tomada de decisões? Esta autoridade nos mostra sua agenda de necessidades e nós apontamos : “nisto podemos ajudar!”.
E esta ajuda é procurar informações essencialmente e preferencialmente nacionais. Se não há na América Latina, vamos a outros continentes, mas é importante fortalecer a capacidade de pesquisa de nossos países também. Às vezes está enterrada numa universidade… Então nosso trabalho é resgatar informações existentes, ou produzir informações que não  existem,  e apresentar à autoridades. Mas não  é um documento enorme e chato, mas uma espécie de resumo  para políticas públicas.
PC:Que países já tem adotado medidas  em termos de políticas públicas, que possam já  trabalhar com prevenção?
YK: América Central, definitivamente. Deterioração do  solo, destruição  de florestas, de bacias hidrográficas…. É uma região da America Latina tremendamente afetada por conta da superexploração dos recursos naturais. No caso de El Salvador, nosso interesse de trabalhar ali não é só porque tem bons tomadores de decisão, mas também para usar o efeito multiplicador de El Salvador nas demais nações centro-americanas.
O mesmo em Cartagena, na Colômbia. Se conseguimos mostrar que existem medidas eficientes para reduzir o impacto das mudanças climáticas, podemos usar os mesmos parâmetros em outras cidades costeiras.
Trabalhamos em Quito e La Paz, cidades de altitude, para criar modelos e descobrir como podemos multiplicar os efeitos positivos do projeto em outras cidades similares.