2010, um ano que passou viajando

Ricardo Freire, turista.profissional@grupoestado.com.br,

15 Dezembro 2010 | 10h00

 

 

Em 2010 o item viagem continuou a sua trajetória ascendente na lista de prioridades dos brasileiros. Para cada vez mais famílias viajar não é mais privilégio - é um direito adquirido. O turista brasileiro ainda continua sendo um intruso na malha aérea e hoteleira do país, voltada para o executivo. Ainda assim, estamos viajando como nunca.

 

Nunca fomos tão cobiçados. A combinação de economia aquecida no Brasil, crise nos países desenvolvidos e real fortíssimo fez do brasileiro o visitante dos sonhos de inúmeros destinos mundo afora. Nosso ímpeto consumista é famoso em todos os lugares aonde vamos. Buenos Aires, Orlando, Nova York e Santiago consolidaram-se como colônias de férias brasucas - impossível ficar muito tempo sem ouvir português, sobretudo se houver uma caixa registradora por perto. Órgãos oficiais de turismo estão pondo o Brasil no alto de suas prioridades de divulgação e marketing. O lobby da indústria de viagem americana para derrubar o visto de entrada para brasileiros está cada vez mais forte.

As novas fronteiras: Caribe e Golfo Pérsico. Na época da paridade entre dólar e real (1994-1998) o brasileiro sonhava com Bali e a Polinésia. As companhias aéreas da época (Varig, Vasp, Transbrasil) criavam rotas diretas a lugares como Hong Kong, Bangcoc, Bruxelas e Viena - todas abandonadas logo depois da desvalorização. Já o novo ciclo do real forte tem posto o Caribe e o Golfo Pérsico no nosso caminho. Gol (em voos diretos) e Copa (com conexão no Panamá) passaram a ligar o Brasil a destinos que até há pouco estavam totalmente fora do nosso radar, como Punta Cana e St. Maarten. O sucesso da rota da Emirates a Dubai atraiu em 2010 a concorrente Qatar Airways, do emirado vizinho. O próximo ano pode marcar o retorno do Sudeste Asiático ao cardápio de viagens exóticas do brasileiro, com o início das operações da excelente Singapore Airlines na rota Cingapura-Barcelona-São Paulo.

 

Descentralização dos aeroportos: já começou. Os aeroportos mais importantes continuam operando no gargalo, e o excesso de horas trabalhadas das tripulações tem provocado crises pontuais. Mas pelo menos uma das medidas recomendadas depois dos caos aéreos de 2007 e 2008 começa a se materializar. As companhias aéreas demoraram, mas já estão descobrindo que nem todo voo precisa passar por Congonhas ou Cumbica para ser rentável. A maior responsável por isso é a Azul, que reviveu Viracopos com tal sucesso que a TAP fez de Campinas seu nono destino no País. Outras cidades fora do eixo São Paulo-Rio passaram a ter voos internacionais em 2011: Porto Alegre (a Lima), Foz do Iguaçu (a Montevidéu e agora também a Lima), Brasília (a Miami e Lima). A assinatura do tratado de céus abertos entre Brasil e Estados Unidos abre a possibilidade de novas cidades, como Porto Alegre e Curitiba, ganharem voos diretos aos States.

 

Passagens aéreas: menos promoção, mais organização. Em 2010 as aéreas não premiaram apenas os clientes que podem varar as madrugadas dos fins de semana tentando a sorte nas megapromoções. Quem pôde comprar com antecedência conseguiu bons preços de maneira consistente. Além de mais pontuais, as grandes promoções este ano foram usadas também como uma espécie de pedido de desculpas: Gol e TAM lançaram promoções de desconto logo depois de crises de atendimento causadas por ajuste das escalas dos tripulantes. No departamento promoção de milhas a Gol foi bem mais agressiva do que a TAM - e está com uma boa oferta de upgrade às categorias Prata, Ouro e Diamante para quem transferir grande número de pontos do cartão de crédito.

 

Turismo de compras: a legalização da muamba. Uma resolução da Receita Federal em vigor desde 1º de outubro legalizou a muamba em causa própria: com exceção de computador, iPad, filmadora e poucos itens mais, o que você trouxer na mala pode pagar apenas excesso de bagagem. Isso oficializou o que já acontece em lugares como a Flórida e Buenos Aires, onde as grandes atrações turísticas são as lojas, os outlets e o free-shop. Duas novidades atrapalharam a vida dos comprólatras: em Nova York deixou de vigorar a isenção de sales tax para roupas e artigos de vestuário até US$ 150; e muitos dos voos a Buenos Aires agora operam no Aeroparque, o aeroporto secundário, que tem um free-shop modesto.

 

Turismo de negócios: ocupação plena. Está cada vez mais difícil conseguir o hotel que você queria durante a semana em cidades grandes. Basta um pequeno evento para que parques hoteleiros inteiros fiquem lotados. São Paulo, que até há pouco tempo tinha quarto de hotel sobrando, agora está permanentemente cheia em dias úteis. Para São Paulo - e outras capitais do Centro-Sul, como Belo Horizonte - o problema não é a Copa do Mundo de 2014, mas o ano que vem.

 

All-inclusive x meia pensão, terceiro round. No concorrido âmbito dos resorts, 2011 viu o time do all-inclusive ser reforçado por dois resorts luxuosos e gigantescos - o Grand Palladium Imbassaí, na Bahia, e o Vila Galé Cumbuco, no Ceará - e pela inauguração do Breezes em Búzios. Houve algumas baixas, porém: os econômicos Village Pratagy, em Maceió, e Costa Brasilis, em Santo André da Bahia, controlado pela GJP Hotéis (de Guilherme Paulus, fundador da CVC), voltaram ao esquema meia pensão. A mesma coisa vai acontecer com o Starfish de Aracaju, que em 1º de janeiro deixa de ser operado pelo Superclubs (que controla o Breezes) e ganha novo nome. Resumindo o cenário: o all-inclusive está se tornando predominante, mas a meia pensão continuará resistindo nos destinos onde o hóspede faça muitos passeios e nos resorts cujos hóspedes façam questão de qualidade e serviço.

 

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