A chance de ver o mundo com olhos solidários

A chance de ver o mundo com olhos solidários

Fazia apenas dois meses que o terremoto havia devastado o Haiti, em 2010, quando o engenheiro civil recém-formado Gustavo Aguiar, hoje com 25 anos, desembarcou no epicentro do tremor, em Grand Goave, a 50 quilômetros da capital Porto Príncipe, para ajudar na reconstrução da cidade. Ele, que já havia construído moradias pela ONG Um Teto Para Meu País, chegou junto com jovens de vários países com a missão de erguer 100 casas em um mês - e qualificar haitianos para que eles mesmos fizessem as construções posteriormente.

FELIPE MORTARA, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2012 | 02h09

Detalhe: Gustavo estava de férias de seu emprego no Brasil.

Como a missão que o engenheiro decidiu encarar, educar crianças na Cidade do Cabo, como faz atualmente a estudante Anastácia Schroeder (leia na página 6), ou cuidar de guepardos numa reserva africana, como a bióloga Samara Moreira, são tarefas que exigem espírito solidário e vontade de mudar realidades. E os voluntários podem vir de longe: entidades pelo mundo contam com a generosidade de viajantes que, além de visitar um lugar, estão dispostos a investir tempo - e dinheiro, é verdade - para conhecer e atuar em seus projetos.

"Vi o tamanho do caos que (os haitianos) estavam vivendo", lembra Gustavo. "Mas só de estar ali para tentar ajudar aquelas pessoas a recomeçar a vida já valia a pena." Hoje, dois anos após a viagem, ele diz que sente orgulho ao saber que a equipe que formou continua ativa.

Diferenças. Choques culturais (nem todos exatamente agradáveis) ajudam a ampliar a visão de mundo do voluntário. Comer sem talheres e não ter vaso sanitário foram desafios que a estudante de relações internacionais Caroline Tissot, de 21 anos, enfrentou durante quatro meses em Hiderabad, na Índia.

A estudante trabalhou em uma montadora de veículos em um programa da Aiesec (aiesec.org.br), ONG presente em 110 países que realiza cerca de mil intercâmbios por ano. Segundo ela, o choque é importante para se repensar. "Você se volta à sua essência, sai um pouco do automático. Faz uma revisão dos valores que realmente importam."

Entre dezembro e janeiro, a aluna de engenharia ambiental Isadora Vieira, de 24 anos, encarou contrastes nas Filipinas, construindo hortas comunitárias em um orfanato com mais de 500 crianças e em comunidades carentes. "Eu morava com 11 pessoas de vários países. O choque cultural começava dentro do meu quarto", diz, lembrando que viveu percalços. "Limpávamos terrenos abandonados e encontrávamos cobras e sapos." Ela gastou R$ 5 mil pela passagem aérea, porém seus gastos locais eram mínimos.

Retorno. Ao voltar para casa, a experiência do voluntário rende mais que fotos e boas histórias de viagem. Para Filipe Chamusca de Moura, de 30 anos, os cinco meses que passou em um orfanato no interior da Guatemala, em 2003, o ajudaram a mostrar seus valores na hora de concorrer a uma vaga de emprego. "Hoje, quando contrato alguém, também busco por essa experiência no currículo do candidato", diz.

Para o advogado mexicano Miguel Maldonado, de 29 anos, o voluntariado virou profissão. Ainda na faculdade, ele saiu da Cidade do México para ajudar na reconstrução de uma cidade no sul, também pela ONG Um Teto Para Meu País, após uma inundação em 2007. Depois de passar por Equador e Guatemala, tornou-se, há quatro meses, diretor social da entidade no Brasil. Ganhando para isso.

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