Viagem

A cidade mais oriental do Ocidente

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12/09/2017 | 03h00    

Mr. Miles - O Estado de S. Paulo

Chinatown. Ou seria melhor Vancouver ter uma 'Canadiantown'?

Chinatown. Ou seria melhor Vancouver ter uma 'Canadiantown'? Foto: Andy Clark/Reuters

Mr. Miles manda notícias desde o lodge de seu amigo Dean Wyatt, na British Columbia, no Canadá. Para chegar lá, nosso correspondente pegou algumas diferentes aeronaves, sendo a última um simpático hidroavião “que me fez lembrar, of course, de inúmeras aventuras no século passado, quando essas máquinas estavam na moda”.

Nosso viajante acha “ a shame” ter-se involuído nessa tecnologia. “Quantos lugares do mundo ficariam acessíveis mesmo sem nenhum aeroporto por perto? Can you imagine?

Sentindo-se desafortunadamente ranzinza com tais considerações, Mr. Miles informou que foi convidado por Dean para um safári em busca da grande população de ursos pardos do local – uma ilha em que o hotel de Mr. Wyatt fica literalmente ancorado, já que se trata de um edifício flutuante. Sobre essa experiência, o sobrinho predileto de tia Gwynett informa que trará noticias em breve. Porque antes, quer falar um pouco sobre Vancouver. 

Well, my friends: o mundo é tão vasto que talvez não tenha ido para esta bela cidade nos últimos 30 ou 40 anos. Ela continua linda, com sua geografia de mares e montanhas que sempre me lembrou o Rio de Janeiro. Ou, se vocês preferirem, um Rio 5 graus abaixo de zero (no inverno, of course). 

Hoje, a maior cidade do oeste canadense parece muito mudada. Há prédios grandes – que antes eram poucos –, há uma espécie de cracolândia na área de Hastings Street com a Main Street, mas, tirando essas doenças do crescimento, continua sendo uma cidade agradável para praticar a arte do viver. Há muitos estudantes estrangeiros que vêm aprender o inglês por aqui com competência, but, of course, o nosso, original, das ilhas, é muito mais autêntico. Nevertheless, a cidade é linda, com grandes parques e muita paz.

Eu só fiquei um pouco confuso quando cheguei. O policial da imigração era oriental, os funcionários do aeroporto – quase todos – também. A moça do café era oriental e muito linda. Fossem outros tempos, poderia ter se tornado uma grande amiga. As placas de comunicação aos passageiros estavam em inglês e francês, as usual, mas havia uma terceira linha em mandarim. Só quando cheguei ao táxi, dirigido por um senhor hindu de longas barbas e turbante verde, percebi que não estava no oriente distante.

Vancouver, I must say, é proporcionalmente a cidade mais oriental do ocidente. Flanando pelas ruas é fácil perceber que, nowadays, eles são a maioria dos habitantes da cidade – aliás, fundada por chineses que vieram trabalhar na construção da ferrovia que liga o Pacífico ao Atlântico. Há, of course, uma Chinatown oficial. Mas, believe me, cheguei a pensar se não seria o caso de substituí-la por uma Canadiantown. 

Digo tudo isso para informar que estou apaixonado por Vancouver. Para um peregrino como eu, encontrar o melhor de dois mundos em um único lugar foi uma emoção diferente. Descobri, conversando, que os chineses vivem unidos no bairro de Richmond. Fui até lá e só consegui algum contato em função do mandarim e do cantonês que aprendi, long time ago, com a linda e delicada Ling Chuang.

Os hindus, suas barbas e turbantes, vivem com suas especiarias no bairro de Surrey e são vizinhos que quase não trocam palavras com os demais. Ainda não sei exatamente onde vivem os japoneses, coreanos, filipinos, malaios, indonésios, tailandeses e vietnamitas de Vancouver. O que é uma grande sorte, porque, graças a essa dúvida, voltarei para a cidade em breve. Com meu quimono, by the way.”

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.