A coleção mais que explosiva de Mr. Miles

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Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

04 Julho 2017 | 03h00

Nosso viajante, de conhecida paixão pela ornitologia, escreve-nos, nesta semana, desde a cidade de Lae, a segunda maior de Papua-Nova Guiné, um país de 850 tribos distintas e enormes áreas florestais intocadas. Mr. Miles, desta vez, foi à procura das célebres aves do paraíso que existem em profusão nessa grande ilha da Oceania. 

Encantado com o que viu em quase uma semana de caminhadas pelas florestas tropicais da região (“quase 20 espécies diferentes, can you believe?”), o incansável correspondente deste caderno aproveitou para agradecer as diversas mensagens que recebeu sobre a coluna Os dez mandamentos de um viajante, publicada na semana passada. Pelo menos dez dos leitores afirmaram que já estão convertidos à fé por viajar, respeitando cada um de seus mandamentos. 

A seguir a pergunta da semana:

Mr. Miles: li, recentemente, que o senhor não gosta de ser chamado de “colecionador de países”. Entretanto, tendo a oportunidade de viajar tanto pelo mundo, existe algum tipo de coleção que o senhor faça? 

Guilherme Canhedo, por e-mail

Well, my friend, já houve um tempo em que colecionei os suvenires mais ridículos que encontrava. Desde um inexplicável elefante feito de lava do vulcão Etna, na Sicília, até um abridor de latas apoiado sob as fundações do Taj Mahal. Sem esquecer, of course, de um criativo relógio cuco finlandês que, hora após hora, exibia uma rena balindo (ou seria mugindo, ou zurrando?). 

A inocência desses recuerdos, however, perdeu toda a graça quando os chineses passaram a fabricar praticamente todos os suvenires do mundo. Até as miniaturas do Big Ben, my God, são produzidas nas terras de Confúcio. E quase todas as máscaras africanas ou entalhes com animais das savanas têm a mesma origem – alguns deles, by the way, são tão bem feitos que até os moradores atestam sua autenticidade.

Eis que, mais recentemente, passei a cultivar um bar com produtos inesperados. Um gim produzido no Congo, for instance. Ou vodcas de origem tropical, como a arriscada Empress Club, de origem malaia e a inesperada Ilhoska, de Ilhéus, na Bahia, cujo rótulo ostenta a Catedral de São Sebastião, imponente como um basílica ortodoxa russa.

Confesso que fui me divertindo com essas descobertas. Da Namíbia, por exemplo, trouxe curiosas garrafas de vinho colombard e ruby cabernet da marca Krystall Kellerei. Não sou um enófilo, mas senti um retro-sabor de impalas nas uvas fermentadas entre as feras da região de Omaruru.

Minha coleção também possui vinhos do Usbequistão que, por sinal, são muito agradáveis ao paladar. Guardo várias garrafas de Gulyankadoz em minha adega, especialmente os das safras de 1978 e 1983. E até os bebo de vez em quando, experiência que só tive uma vez em minha vida com o whisky hindu Bagpiper. 

Apesar dos ganidos de advertência de minha mascote Trashie, ousei provar uma dose dessa infusão feita à base de melaço e fui acometido pela mais instantânea dor de cabeça de minha existência. Devo dizer, however, que o Bagpiper é o whisky preferido por nove entre dez artistas de Bollywood. Sanjay Butt e Shah Rukh Kahn, por exemplo, tomam-no cotidianamente.

Unfortunately, o espaço disponível nesta coluna é pequeno para descrever a quantidade de preciosidades que tenho nesse peculiar depósito. Menciono que jamais provei o arrak, um rum feito de arroz na Indonésia e, apenas uma vez, provei uma colher de chá do CJ, o célebre rum liberiano que atinge 86 graus de porcentagem alcoólica. 

Reservo-me o direito de não mencionar o que aconteceu a seguir. 

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 312 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

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