Nathalia Molina
Nathalia Molina

A escola de intercâmbio

As facilidades e dificuldades de começar um idioma novo do zero

Nathalia Molina, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2017 | 04h20

De Paris, de Lyon; do Marrocos, do Haiti; de Quebec, de Montreal. Em duas semanas, meus ouvidos tiveram de se esforçar para tentar entender os professores da EC Montreal em muitos sotaques da língua francesa. Com um pequeno detalhe: eu não falo francês. E não é que deu certo? Aprendi bastante em pouquíssimo tempo.

Depois de oito aulas, saí do zero para um estágio qualquer iniciante. Meu interesse natural por estudar línguas ajudou a acelerar o aprendizado. Mas o que deu aquele empurrão necessário foi mesmo me jogar nas aulas, sem ter vergonha de falar e escrever, ainda que errando muito. 

O primeiro dia de aula serve para a apresentação da escola. É o momento também da prova de nivelamento para saber em que etapa da aprendizagem o estudante está. Segui a recomendação da diretora de Estudo, Ana Arroyo: “Não se preocupem e escrevam o máximo que puderem para conseguirmos ver o que vocês de fato sabem”.

Continuei assim durante as duas semanas de curso. Eu estudava apenas pela manhã. Tentava entender o que lia pelas ruas e procurava usar frases simples para me comunicar em lojas e cafés.

Extras. Com origem em Malta, a EC tem unidades em cerca de 25 cidades, majoritariamente para o ensino de inglês. 

Estudei com gente de todas as faixas etárias, o que não foi um problema, pelo contrário: proporcionou a troca de experiências entre pessoas, não só de diferentes origens, mas também vivências.

Com a intenção de promover a integração entre os estudantes e a prática do idioma, a escola organiza saídas em grupo (enquanto estive lá, houve para visitar o cassino da cidade e para patinar no gelo). Nesses casos, não se paga para participar – os alunos são informados de quanto se gasta no programa, e cada um cuida das suas despesas. Cidades próximas (entre elas, Quebec e Toronto) ou pontos turísticos como as Cataratas do Niagara estão no roteiro de excursões de fim de semana; todas pagas à parte.

A programação semanal inclui também atividades extras gratuitas feitas dentro da escola. Às quartas, algo mais social, como a hora do chocolate quente ou uma sessão de ioga. Sexta é dia de workshop, para treinar aspectos da língua – fui no de pronúncia. É interessante, especialmente para errar e ser corrigido. Era o que eu mais fazia durante as aulas regulares mesmo. 

Durante os intervalos, português e espanhol dominam os corredores e o espaço para lanche, embora os avisos informem que na escola apenas inglês e francês devem ser usados. Acaba sendo inevitável para um lugar muito frequentado por brasileiros, venezuelanos e mexicanos. 

Mas o que me surpreendeu mesmo foi encontrar vários suíços entre as 26 nacionalidades que passaram pela escola em novembro. Por que sair da Europa, de um país onde a língua francesa está entre os idiomas oficiais, para estudá-la na América do Norte? 

“Para aproveitar para viajar também”, justificou um suíço. Simples assim. Afinal, intercâmbio não é só estudar uma língua, tampouco se limita a visitar um lugar. 

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