A isolada beleza de Santa Helena

A chegada à Ilha de Santa Helena foi o momento mais tenso da viagem: a maioria dos navios que chega ali não consegue desembarcar seus passageiros em botes em razão das ondas violentas que costumam acometer a região. Mas tivemos sorte, muita sorte: o mar estava uma seda e ancoramos perto da ilha sem qualquer problema.

JAMESTOWN, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2012 | 03h10

Desembarcamos em Jamestown, bem no meio de um vale, num domingo de manhã. Grand Parade (que depois vira Main Street) é a artéria principal da cidade - ao lado dela, os 699 degraus da inclinadíssima escadaria batizada de Jacob's oferece, a 300 metros acima do nível do mar, uma das mais belas e impressionantes vistas da ilha. Tudo ali é pertinho: duas horas são suficientes para conhecer a capital e seu indefectível toque vitoriano, incluindo o museu, que só abre sob demanda.

A própria ilha, de origem vulcânica, tem dimensões bem reduzidas. São apenas 121 quilômetros quadrados (metade de Ilhabela, no litoral paulista), onde vivem 4 mil pessoas. Quando foi descoberta pelos portugueses, em 1502, não era habitada, mas rica em água e vegetação. Qualidades suficientes para os primeiros colonizadores montarem ali uma base para sua rota comercial. Mais tarde, foi tomada pelos holandeses até ser colonizada pelo Reino Unido, no século 18 - os vários fortes, espalhados por toda a ilha, refletem a disputa colonial. Hoje, os moradores, chamados de saints, são considerados cidadãos britânicos.

Os primeiros relatos sobre Santa Helena chegaram em 1580, quando o corsário inglês Sir Francis Drake passou por ali e se encantou por sua beleza natural. Depois, ganhou fama por servir de exílio para Napoleão Bonaparte (leia mais abaixo) entre 1815 e 1821. Quinze anos mais tarde, Santa Helena recebeu a visita de Charles Darwin, que, sobre ela, escreveu em seu livro A Viagem do Beagle: "...um pequeno mundo que, por si só, excita nossa curiosidade".

Atrativos. De Jamestown, a pedida é explorar o interior da ilha, que se mostra ainda mais sedutor. Pare no mirante Two Gun Saddle para admirar a queda d'água que escorre por uma rocha com o curioso formato de coração. A maior parte da ilha é assim, composta de paredões rochosos e verde, muito verde.

Outro destaque é a Plantation House, sede do governo e também residência do governador de Santa Helena. Visitar a casa, de fachada vitoriana e com um impressionante acervo de cerâmica, mobiliário e obras de arte do mundo todo (a maioria dos séculos 18 e 19) é algo bastante raro. Mas boa parte dos turistas já se contenta em visitar o parque que a rodeia. Na imensa área verde vivem tartarugas gigantes como o célebre Jonathan, o mais antigo habitante da ilha, com mais de 200 anos.

Por questões climáticas, tivemos de antecipar nossa partida. Enquanto o navio se distanciava da costa, eu lembrava das palavras escritas por Amyr Klink em Cem Dias Entre Céu e Mar: "Um último adeus à ilha. Um dia voltarei!". / M.C.

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