A minutos do agito, tranquilidade e tempero asiático em Bo-Kaap

É difícil acreditar que o pacato bairro de Bo-Kaap esteja tão perto do coração boêmio da Cidade do Cabo. No entanto, bastam alguns minutos de caminhada para que o agito à porta dos bares da Long Street seja trocado pelas ruas silenciosas deste bairro, um dos mais antigos da cidade.

CIDADE DO CABO, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2010 | 01h54

A história do Bo-Kaap remonta à chegada à África do Sul das primeiras levas de povos do Sudeste Asiático. Capturados pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, eles foram escravizados e levados à atual Cidade do Cabo, que já foi um importante posto de abastecimento para embarcações que viajavam da Europa à Ásia. Muitos eram líderes religiosos muçulmanos, que se opunham à dominação holandesa na atual Indonésia. Outros tantos eram hábeis artesãos, pintores e carpinteiros.

Coube a esses escravos, que passaram a ser conhecidos como Cape Malays (malaios do Cabo), construir o bairro onde eles passariam a viver. Nas ladeiras ao pé de uma colina, foram erguidas casas contíguas com no máximo dois andares.

Desde que se descobriu o apelo turístico do Bo-Kaap, nas últimas duas décadas, essas casas são pintadas em cores alegres que lembram as do Pelourinho, em Salvador. O edifício mais antigo da região, de 1760, transformou-se no Museu de Bo-Kaap (71 Wale Street), que exibe móveis e utensílios da época. Perto dali fica outro prédio histórico, a Mesquita de Auwal (39 Dorp Street), a mais antiga do país.

O bairro abriga restaurantes da culinária Cape Malay, que acabou por influenciar a mesa de todos os sul-africanos. Os carros-chefes são os curries, mais leves que os indianos, o breedie (cozido de carne e vegetais) e o bobotie (espécie de bolo de carne). /J.F.

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