A 'segunda Paris', renovada e cheia de vida

Cosmopolita, Varsóvia chegou a ser chamada de "a segunda Paris" nas primeiras décadas do século 20. Arrasada por Hitler em 1939 e, mais tarde, ao longo do levante do Gueto de Varsóvia e da rebelião popular de 1943 e 1944, teve vários de seus bairros reconstruídos no pós-guerra. Edifícios foram restaurados segundo o estilo original, principalmente os de valor histórico. E a capital da Polônia entrou em um período de pujança após o fim do comunismo que, por enquanto, não foi seriamente abalado pela crise que assola a Europa.

VARSÓVIA, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2013 | 02h10

O centro histórico ou stare miasto é o coração turístico da cidade. A começar pela Praça do Mercado, com seus cafés e lojas. Os prédios ao redor, erguidos entre os séculos 13 e 20 e liquidados durante a 2.ª Guerra, passaram por uma reconstrução que a ONU considerou exemplar.

Os edifícios ilustram o rococó polonês, o gótico e o renascimento. Ao estilo maneirista pertencem o antigo palácio real e a Igreja Jesuíta. Fora do centro, o Palácio da Cultura e da Ciência é um dos legados da presença soviética no país, entre 1945 e 1989. O prédio, em estilo stalinista, é detestado por parte dos poloneses, enquanto outros o consideram um símbolo da cidade. Antes usado pela burocracia estatal, atualmente está dedicado a exposições e shows musicais.

Varsóvia segue o costume do leste europeu de cafés e confeitarias. Um de seus expoentes é a confeitaria A.Blikle (Rua Nowy Swiat, 33), uma instituição em matéria de doces desde 1869, considerada a melhor da cidade. Seus produtos são orgulho dos varsovianos.

Na praça central da cidade velha está o Fukier, o mais velho restaurante em funcionamento ininterrupto da capital, visitado por celebridades mundiais como a rainha Sofia da Espanha e a atriz Sharon Stone. Outra concorrida opção gastronômica é o Puszkin (Rua Swietojanska, 2), frequentado pela elite local. O menu é basicamente russo, com alguns pratos poloneses.

Um símbolo. No que diz respeito ao inevitável tour temático sobre o Holocausto, o Gueto de Varsóvia, símbolo do período nazista, foi arrasado. Um dos poucos prédios que ficaram de pé está em frente à Igreja de Todos os Santos, na Rua Prozna, sobre a Praça Grzybowska. Em suas paredes há enormes retratos de pessoas que estiveram confinadas no gueto, onde a ração diária era de 184 calorias por pessoa. Ali perto, pela Rua Walliców, existem outros edifícios ainda em pé, embora vazios.

A famosa Rua Mila fica perto. Ali, no número 18, reuniram-se os integrantes de um dos últimos grupos de resistência judaica. Leon Uris escreveu o livro Mila 18, best-seller durante décadas, sobre as pessoas que moravam no lugar. Mas a numeração da rua mudou: o 18 original fica na esquina com a Rua Dubois, onde hoje existe um pequeno memorial em homenagem ao grupo de resistência.

O muro que cercava o gueto foi quase todo demolido. O trecho remanescente pode ser visto no número 55 da Rua Sienna, dentro do pátio de um edifício. O Gueto de Varsóvia chegou a ter 400 mil habitantes no início da ocupação alemã. Foi encerrado com 50 mil sobreviventes - que, no entanto, também foram mandados a campos de concentração.

Apesar da destruição generalizada, o cemitério judaico de Varsóvia, de 1806, ficou intacto. Entre suas 150 mil lápides estão as dos integrantes da Armya Krajowa, o exército da resistência polonesa, que contou com muitos integrantes judeus. Também está ali o túmulo de Januszca Korczaka, que cuidou das 200 crianças de um orfanato e com elas foi enviada ao campo de Treblinka. No meio do cemitério, uma área gramada, sem lápides. Ali foram depositadas as cinzas de milhares de judeus cremados em campos de extermínio. / ARIEL PALACIOS

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