A velha questão sobre a idade do grande viajante

A velha questão sobre a idade do grande viajante

Nosso impecável viajante resolveu responder a duas missivas eletrônicas que recebeu recentemente. Vamos a elas:

Mr. Miles, Estadão

05 Julho 2016 | 00h15

Caro Mr. Miles, suas mensagens são sempre bem-vindas. Bem escritas e com interessantes observações. However, na coluna publicada em 21 de junho, você mencionou sua presença na cerimônia de inauguração do Cristo Redentor, no Rio, em 1931. Caso tivesse meros 30 anos na ocasião, estaria agora com 115 anos e, mesmo se tivesse apenas 10 aninhos, ainda estaria hoje com 95. Hard to believe. Afinal, qual é sua verdadeira idade?

Roberto Grad, por e-mail

“Well, my friend: mais uma vez a pergunta que todos cismam em me fazer. Em primeiro lugar, embora não seja uma lady, acho sempre deselegante falar em idade. Seus cálculos, by the way, estão corretos. Mas o que posso fazer se cismo em ficar vivo para seguir viajando? Creio que tenho uma boa natureza e quase não reclamo, exceto de raras dores no joelho direito e das recidivas de uma malária que contraí no Congo anos atrás. Considero-me, indeed, uma pessoa saudável, porque sou um ser semovente em um universo paralisado. Minha idade, dear Robert, é justamente a que tenho: não está adiantada nem atrasada, don’t you agree

 A única 'vitamina especial' que uso é esse entusiasmo em descobrir lugares e pessoas que alimentam minha alma e, as you see, meu corpo. Uma tarefa tão agradável quanto interminável. No dia em que não houver mais dessas pílulas em minha farmácia espiritual, o jornal provavelmente terá de arrumar outro colunista. Quanto à inauguração do Corcovado, tudo ocorreu exatamente como descrito na coluna, por cujo sucesso e repercussão agradeço aos leitores de todas as idades. 

Caro Mr. Miles, em primeiro lugar, parabéns pela sua maneira perspicaz de conduzir sua coluna. Sou leitor assíduo e confesso que não sei se o senhor é real ou virtual, mas tenho certeza de que é mestre em suas colocações, indicações e sugestões. No ano passado, o senhor aconselhou um jovem com dupla cidadania a não se mudar para Irlanda, e que ele deveria, por meio do voto, trocar nossos governantes para mudarmos o norte do País. Hoje, com o pós Lava Jato, o senhor acha que ainda temos tempo para mudar nosso destino? Ou se fosse jovem tentaria começar uma nova vida em outro país? 

Ricardo Soares Pereto, por e-mail

“Well, dear Richard: sobre minha suposta ‘virtualidade’, acho que pude esclarecer o assunto na resposta anterior. Já sobre a renomada operação Car Wash, de nome curioso, ouso dizer que se trata, at last, de um processo de depuração, que pode levar meses, anos ou séculos – mas há de funcionar. Tenho pouca fé na natureza humana – infelizmente somos, na maioria, seres ruins. However, acredito que, com o tempo e a razão, conseguimos controlar os piores de nossos instintos e aprendemos a viver, pelo menos, em certa harmonia. Pessoas que abandonam seus países estão, ao mesmo tempo, desiludidas (de sua nação) e iludidas ao acreditar que o jardim do vizinho é mais verde. 

Só entendo quem se refugia quando a maldade e a pobreza ganham proporções insustentáveis – como ocorre na Síria e em diversos países africanos. De resto, a melhor razão para deixar um país é, como eu sempre digo, a possibilidade de conhecer outros. É viajando que se aprende a tolerância e se percebe que, de um jeito ou de outro, em um momento ou noutro, todos os lugares têm de purgar suas próprias dores. Para poderem renascer limpos, brilhantes e cheirosos como um carro depois de um lava-jato. Don’t you agree?” 

 

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

Mais conteúdo sobre:
Mr. Miles Brasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.