Bruna Tiussu/AE
Bruna Tiussu/AE

Acervos artístico e botânico para interagir a seu gosto

O sonho era antigo. Foi lá na década de 1980 que o empresário Bernardo Paz idealizou transformar aquela imensa área de sua fazenda em Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte, em um museu a céu aberto. Ou, caso prefira, em um parque ecológico com diversificado acervo artístico. Contou com o auxílio de curadores, se apaixonou pela arte contemporânea e recebeu a ajuda de amigos especialistas em paisagismo, como, por exemplo, Roberto Burle Marx (1909- 1994). E, em 2006, viu o que era sua propriedade privada se transformar, enfim, em um complexo de arte acessível a todo público.

BRUNA TIUSSU / BRUMADINHO, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2012 | 03h11

O trabalho foi tão bem feito que mesmo que você chegue ao Instituto Inhotim com expectativas elevadas, termina a visita perplexo, deslumbrado. Acontece com todo mundo. É como se o local tivesse sido projetado de forma a permitir mergulhos e interpretações variadas, onde a sua também fará sentido. Algo de dar inveja até aos mais bem projetados museus internacionais. Ali, não é preciso ser conhecedor da arte ou ter interesses específicos em botânica para curtir o passeio, basta interagir com o ambiente.

Interação, aliás, é palavra comum por lá. Espalhadas pelo complexo, ora instaladas entre jardins, ora no alto de montanhas, conversando com a paisagem do entorno, boa parte das obras ao ar livre (são cerca de 25) convida o visitante a experimentar com sentidos que vão além da visão. Caso do Magic Square de Hélio Oiticica, que brinca com cores, formas e permite caminhar e tocar em suas estruturas. Ou da piscina criada por Jorge Macchi, que também está aberta para seu uso primário: nadar.

Lógica similar é aplicada às galerias - dentro delas, porém, não é permitido tirar fotografias. São 19 ao todo, incluindo uma dedicada a Adriana Varejão e duas recém-inauguradas: a de Lygia Pape, aberta mês passado, e outra reservada aos trabalhos de Tunga, um dos primeiros a ter obras no acervo do complexo, inaugurada dia 7.

E a expansão não para: uma grande galeria está em construção para reunir trabalhos de vários artistas (ainda sem data prevista) e, em 2013, o Inhotim deve ganhar um espaço dedicado ao dinamarquês Olafur Eliasson, que já assina o caleidoscópio gigante onde você é quem direciona o ângulo de visão. O indiano Anish Kapoor prometeu uma obra para 2014.

Tais galerias exploram conceitos múltiplos da arte contemporânea e atraem por uma mistura de beleza, crítica, visão futurística e até volta ao passado. O trabalho pode se resumir à exibição de um filme (o Da Lama Lâmina, de Matthew Barney, está na galeria Marcenaria), obras viajadas e conhecidas mundialmente - caso de Desvio Para o Vermelho, de Cildo Meireles - ou ainda conceitos artísticos totalmente "mão na massa" como o de Marilá Dardot. Em sua peça Origem da Obra de Arte, o visitante é induzido a compor palavras utilizando vasos de cerâmica em formato de letras - há, inclusive, terra, semente e material de jardinagem para a atividade ficar mais lúdica.

Esforço com recompensa. O espaço é gigantesco: a área de visitação ocupa quase 100 hectares, por onde se espalham 80 das 600 obras da coleção do instituto. E apesar de o parque contar com serviço de carrinhos para percursos internos (opcional, R$ 15), você terá de caminhar bastante e, vez ou outra, subir e descer ladeiras. Nada que vá deixá-lo exausto, pode acreditar.

Muito porque os trajetos são amenizados por pausas que você não vai querer evitar. Como não clicar e admirar o gigantesco Tamboril, árvore de cerca de 90 anos que fica bem no centro do parque? Ou descansar cinco minutos acomodado em um dos bancos feitos de troncos?

O catálogo botânico impressionante, com espécies raras e várias nativas da Mata Atlântica, deu ao Inhotim o título de jardim botânico em 2009 - o local tem nada menos que a maior coleção mundial de palmeiras, com cerca de 1.400 variedades. Outra marca registrada dali são as patas-de-elefante, árvores que, além de dar graça ao ambiente, possuem bases largas que dão perfeitos encostos para um descanso rápido. O vandário, uma coleção de orquídeas suspensas em pequenos vasos, forma um corredor que permite a entrada de raios de luz. Passar por ali é simplesmente encantador.

Para levar para casa um pouquinho do lado verde do Inhotim, algumas das espécies ali cultivadas também estão à venda na lojinha perto da entrada do parque. Com direito a vários modelos de vasos, sementes e outros produtos de jardinagem.

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