Achados em Split

Os heróis do conto persa Os Três Príncipes de Serendip topavam com as coisas sem estar procurando por elas. O centro histórico de Split, que inclui os 30 mil metros quadrados do Palácio de Diocleciano, é o lugar ideal para se sentir como um dos personagens.

SPLIT, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2014 | 02h06

Caminhe aleatoriamente pelas vielas do palácio e descubra um lugar como o Uje Oil Bar (facebook.com/UjeOilBar), especializado em azeites de oliva croatas; histórias intrigantes nas novas placas informativas fixadas nos edifícios; o Palácio Maruli, onde no século 15 nasceu o pai da literatura croata, Marko Maruli, e hoje é um sereno café; um supermercado com bons preços e muitos vinhos nacionais; e a placa "Otac Psihoanalize boravio je u ovoj kuci u rujnu 1898", atestando que Sigmund Freud, o pai da psicanálise, esteve em Split em setembro de 1898.

O Uje, com uma oliveira minúscula em um pequeno vaso sobre cada mesa, tem mais de 50 azeites da região, oferecidos em provas de três, quatro ou cinco tipos. Seguem saladas, peixes e outros pratos obviamente bons para se azeitar, divididos entre "com colher", "com garfo" e "com garfo e faca". Para acompanhar, tente uma das saborosas poções alcoólicas caseiras. Um licor de cereja, por exemplo.

O publicitário brasileiro Diogo Lutz, de 22 anos, trabalhou recentemente na secretaria de turismo local e também fez os seus achados. Um foi que Split, como aponta o Guinness Book, é a cidade recordista mundial em medalhas olímpicas por habitante - e homenageia os medalhistas em uma calçada na sua costa oeste. Outros achados: a cidade tem a torcida organizada de futebol mais antiga da Europa e, como também pude constatar, um bizarro esporte próprio, o picigin, um frescobol na base do tapão, uma peteca com menos parábolas. O jogo nasceu na Praia de Bavice há mais de cem anos e pode ser assistido por ali.

Bavice, aliás, é a praia mais procurada da região e tem clubes noturnos como Tropic e o homônimo Bavice. Para sair no próprio palácio, há o Ghetto Club e o Caffe Bar Gaga. Mais cedo, os jovens de Split, como lembra o brasileiro Diogo, se reúnem e bebem na Matejuska, a pequena enseada próxima da orla principal.

O Palácio de Diocleciano é continuamente habitado desde o século 7.º. Foi construído entre 295 e 305 para ser um retiro de luxo do imperador romano, que passou ali o final da vida. Muitos edifícios foram remodelados ao longo dos séculos, mas uma boa parte da arquitetura se manteve e, há 200 anos, o local recebe trabalhos de restauro, tornando o palácio uma das construções de estilo tardio romano mais bem preservadas do mundo. Hospedar-se ali dentro permite conhecer as nuances mais nativas de Split pela madrugada e pela manhã.

Para vista panorâmica, há a happy hour do café e bar Vidilica (Nazorov prilaz, 1), de onde se vê o mar, as montanhas, todo o palácio e a orla principal. / T.M.

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