Divulgação
Divulgação

Acima de nós, apenas o céu

Com boas opções de arte e cultura, a cidade inglesa não se resume aos 'Fab Four'. Mas sua presença por lá é tão marcante que as canções servem até de títulos nesta reportagem

Renata Miranda, Especial para O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2013 | 02h16

LIVERPOOL - Mais de 50 anos se passaram desde que quatro jovens de Liverpool, no noroeste da Inglaterra, se uniram e quebraram a monotonia do pós-guerra arrancando gritos histéricos das garotas da época. Um punhado de décadas depois, milhões de visitantes interessados em refazer os primeiros passos da banda mais famosa de todos os tempos continuam chegando à cidade de onde John, Paul, George e Ringo saíram para conquistar o mundo.

Os primeiros sinais da beatlemania podem ser sentidos logo na chegada, no Aeroporto John Lennon, que tem como slogan o famoso verso da canção Imagine, "above us only sky" ("acima de nós, apenas o céu"). Do lado de fora, táxis esperam em fila para levar os montes de turistas que, a caminho do centro, já podem ver pontos eternizados em canções dos Fab Four. Como o Albert Dock, onde está um barco fantasiado de submarino amarelo que faz as vezes de hotel para os fãs mais fervorosos.

A cidade, que funciona como uma espécie de Disneylândia para sessentões, atrai mais de 56 milhões de visitantes todo ano. Engana-se, porém, quem pensa que Liverpool é atraente apenas para os beatlemanícos. Desde meados dos anos 2000, a cidade vem passando por um processo de revitalização de sua área portuária e centro histórico. Passou a receber turistas interessados em sua vasta oferta de opções culturais, gastronômicas e esportivas - os torcedores do clube de futebol Liverpool também são protagonistas de peregrinações até lá.

Desde o império. Às margens do Rio Mersey, a cidade teve um papel fundamental no crescimento do Império Britânico ao longo dos séculos 18, 19 e 20. Naquela época, o porto de Liverpool era o principal ponto de movimentação de pessoas - tanto escravos como emigrantes do norte da Europa que deixavam a região rumo à América. Não é à toa que ali está o Museu Internacional da Escravidão.

Museu, aliás, é o que não falta por aquelas bandas. Desde um totalmente dedicado à história dos Beatles até uma filial da famosa galeria londrina de arte contemporânea Tate, há opções para todos os gostos. Há até mesmo um museu inteiro dedicado apenas à história da cidade (Museu de Liverpool), que celebra também outros nomes famosos que saíram dali, mas sem deixar os Beatles de lado - além de uma seção especial e um filme, há também um karaokê onde os visitantes podem cantar à vontade os hits da banda. Tudo isso de graça, sem ter de pagar entrada.

Os mais religiosos também não saem desapontados, já que é em Liverpool onde está a maior igreja da Grã-Bretanha, a Catedral Anglicana.

Capital da cultura. A efervescência cultural por ali é tanta que, em 2008, Liverpool recebeu o título de Capital Europeia da Cultura em reconhecimento à sua contribuição nas artes, performances e música. Quatro anos antes, a cidade foi incluída na lista de Patrimônio Mundial da Unesco, sendo colocada ao lado de lugares como Stonehenge, também na Grã-Bretanha, e a Grande Muralha da China.

"Somos a quinta cidade mais visitada na Grã-Bretanha e atraímos uma multidão diversa interessada nas muitas opções de lazer que oferecemos", disse ao Estado Chris Brown, diretor de marketing da Liverpool Vision, órgão da prefeitura responsável pelo desenvolvimento e turismo na cidade. Segundo ele, além da fama por ser o local de nascimento dos Beatles, Liverpool também é conhecida por ser boa de bola.

"Muitos acreditam que o futebol nasceu aqui também e, por isso, tanto o esporte como a música são responsáveis pelos pontos mais icônicos da cidade", disse ele em referência aos centros esportivos Anfield e Goodison e à região de Mathew Street, considerada a meca por fãs dos Beatles mundo afora.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.