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Alta do dólar preocupa, mas pode favorecer destinos nacionais

Apesar da queda na procura por viagens ao exterior, expositores da 43ª feira da Abav apostam em ações para driblar instabilidade

Bruna Toni, Estadão Conteúdo

25 Setembro 2015 | 19h00

Que a alta do dólar tem preocupado vários setores da economia, incluindo o do turismo, ninguém discute, nem mesmo Papai Noel - que sentiu os males da crise, veio a público pedir ajuda para manter a tradição na Finlândia, onde nasceu e vive oficialmente, e que, até o próximo sábado, circula pelo pavilhão do Anhembi, na zona norte de São Paulo, para promover o destino e dar graça à 43ª Abav Expo Turismo Internacional.

De acordo com o vice-presidente de relações internacionais da própria Abav (Associação Brasileira de Agentes de Viagem), Leonel Rossi Júnior, os efeitos do momento econômico difícil já comprometem o mercado de turismo para o exterior. "O segundo semestre não vai ser bom, vai ser muito ruim. Nós chegamos a um ponto psicológico de pensar '4 reais, 1 dólar', e isso é terrível. Nós tivemos, no primeiro semestre deste ano, uma queda de 10% nas viagens internacionais, isso deve aumentar um pouco agora", reconhece.

Mesmo assim, o espírito geral dos participantes, entre personagens e expositores, tenta se manter positivo no que diz respeito ao fluxo de brasileiros viajando para dentro e, principalmente, para fora do País. "É claro que nós estamos monitorando essa variação cambial, mas continuamos crescendo. Lógico que poderia ser mais, mas ainda há crescimento", afirma Marcos Barros, diretor sênior da Universal Orlando na América Latina. Rossi também vê dessa forma: "Não vai todo mundo parar de viajar para o exterior."

E eles têm apoio para dizer isso. "As empresas aéreas que voam para Orlando têm feito ações pesadas (para contornar a crise). Para 2016, por exemplo, teremos 75% mais assentos nas aeronaves da TAM, Delta e Azul, além das promoções", completa Barros. Segundo o vice-presidente de relações internacionais da Abav, a queda do preço das passagens chega a compensar a alta do dólar. O Ministério do Turismo de Cuba faz coro com as boas perspectivas: "Recebemos 17 mil brasileiros a cada ano e tivemos um aumento de 27% em relação ao último período".

Mesmo destinos mais caros, como Dinamarca e Noruega, fecharam um balanço positivo em relação ao número de visitantes brasileiros. De acordo com o Visit Denmark, o Brasil foi o país que mais ampliou a quantidade de turistas na região durante janeiro deste ano, apresentando um aumento de 48% no número de pernoites na comparação com o mesmo período de 2014.

E há sempre a opção de destinos mais em conta na Europa, como Portugal. "Você almoça e toma um bom vinho no melhor restaurante do Alentejo com 25 euros, por exemplo. É mais barato do que almoçar em São Paulo", afirma o presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, Vitor Silva.

Além do mais, o mercado que investe em viagens dentro do País pode tirar proveito da queda na procura por roteiros para o exterior, já que a valorização da moeda norte-americana não deverá respingar nos preços dos pacotes nacionais. "(A busca por) viagens domésticas ficaram estáveis no primeiro semestre. Para o segundo (semestre), esparamos um aumento de 5%,  que até pode aumentar agora, porque os pacotes estão muito baratos. Eu consigo vender um pacote de 8 dias com tudo, aéreo, passeio, hotel três-estrelas, por R$ 1.000, em 10 vezes sem juros", afirma Leonel Rossi Júnior. 

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