Thiago Momm/Arquivo Pessoal
Thiago Momm/Arquivo Pessoal

Antiga e renovada

"Se pelo menos ela viesse!", escreveu a autora russa Tatyana Tolstaya em uma crônica na revista New Yorker ao retratar a espera ansiosa pela neve em São Petersburgo. Essa ansiedade tem a ver com a beleza do cenário que chega e com o incômodo das chuvas que se vão. Entre maio e setembro, chove praticamente um dia a cada dois. É uma época, diz Tolstaya - e confirmado pela reportagem - "em que as casas ficam tão encharcadas que parecem prestes a se desmanchar em areia".

THIAGO MOMM , ESPECIAL PARA O ESTADO , SÃO PETERSBURGO, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2012 | 02h07

Mas agora a neve já veio. Os primeiros flocos caíram no fim de outubro, início do que são, em média, 132 dias de parques, palácios e domos de igrejas esbranquiçados até abril. Em janeiro, a temperatura tende a cair para uma média de 6 graus negativos, com momentos - pasme - abaixo dos 30 negativos. O Rio Neva logo se torna uma sólida avenida branca, com pedestres no lugar dos barcos.

A uma noite de trem dali, Moscou é um pouco mais fria e, obviamente, também enfrenta o mítico inverno russo. Pesadelo de generais suecos, franceses, alemães e aspiração de muitos viajantes. A neve aperfeiçoa o visual da Catedral de São Basílio e do Kremlin. Também pode, claro, causar transtornos, como o do fim de novembro, quando houve a pior nevasca na cidade dos últimos 50 anos.

A capital, cinco séculos e meio mais velha que São Petersburgo (865 anos contra 309), tem uma lista não menos valiosa de atrações para entreter o turista - além de promover, na segunda metade de dezembro, o grande festival de música clássica Noites de Inverno.

Sede da Olimpíada de Inverno de 2014 e da Copa do Mundo de 2018, a Rússia promete facilitar o trânsito turístico no país. Os brasileiros, porém, não têm por que esperar. Não precisamos do visto desde 2010 para viagens de até 90 dias e bem menos burocracia nos separa de lá.

Mas há outra expectativa importante ligada aos megaeventos: a de que mais atrações se tornem bilíngues. Estudo da empresa Education First com 54 países revelou "proficiência baixa" de inglês na Rússia, 29.ª do ranking. A posição é bem melhor que a do Brasil (46.º), mas está longe de significar um turismo sem limitações de comunicação.

Em São Petersburgo, ocidentalizada desde o início, as placas do metrô e das ruas são traduzidas. De resto, o panorama é o mesmo de Moscou: inglês garantido em lojas famosas, muitos hotéis, alguns cardápios e nas atrações turísticas mundialmente conhecidas, mas não dominado por inúmeros nativos e ausente em pontos importantes.

É o caso do Museu da Guerra de 1812, ao lado da Praça Vermelha, em Moscou. A exposição do bicentenário da vitória sobre Napoleão é anunciada em várias línguas nos alto-falantes externos. A visita, no entanto, ocorre sem legendas. Em outros museus, o turista é razoavelmente ajudado por livretos vendidos nas bilheterias ou por cadernos de consulta no canto das salas.

Reformas. Juntas, Moscou e São Petersburgo somam mais de 5 milhões de visitantes ao ano. As cidades vêm lapidando seus clássicos nos últimos tempos. Na capital russa, os prédios da antiga fábrica comunista de chocolates Outubro Vermelho são, desde 2010, um inquieto complexo de arte, entretenimento e gastronomia - que acaba de ganhar mais uma galeria. Diversão garantida por pelo menos uma semana.

Em São Petersburgo, por sua vez, o Teatro Bolshoi reabriu em 2011, depois de passar por uma ampla renovação. Os Jardins de Verão voltaram a ser apreciados pelo público em maio, após três anos de reformas e o Hermitage está em ampliação por conta de seus 250 anos, em 2014. Belezas a serem apreciadas com ou sem neve.

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