Aranhas e baleias em um mesmo lugar. São as linhas de Nazca

Origem dos desenhos misteriosos divide cientistas. A única certeza é que se trata de um espetáculo

NAZCA, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2010 | 01h57

Desenhos de imensas dimensões compõem um inquietante e ainda hoje misterioso mosaico no deserto. Conhecidas por Linhas de Nazca, figuras de triângulos, trapezoides e representações de animais de hábitats tão distintos como baleia, aranha e macaco enfileiram-se rabiscadas para sempre na areia ao sul da reserva natural de Paracas, a três horas e meia de carro.

Fixadas por meio de técnica indefinida, que levanta polêmica entre estudiosos, os traçados representariam o modo de vida ancestral na região, habitada originalmente pelo povo nazca, sustentam uns. Outros acreditam que seriam, isso sim, um elaborado calendário dedicado à agricultura, por meio do qual era possível conhecer o ciclo das chuvas e definir o que plantar.

Inspirados por uma das figuras do mosaico, para muitos a mais intrigante, há quem ainda ouse perguntar, em tom de escárnio: "Eram os deuses astronautas?", questiona a vendedora de uma lojinha do aeroclube, ao captar a conversa de dois turistas. Hipóteses. Muitas hipóteses.

Após uma breve apresentação das teorias mais difundidas acerca das linhas, a melhor maneira de conhecer a dimensão dos desenhos é embarcar num dos monomotores que sobrevoam a região. O voo custa US$ 60 por pessoa e dura cerca de meia hora.

Foi assim, aliás, que um piloto se deu conta de que aqueles traços contavam uma história. As figuras, é bom que se diga, enfileiram-se em zigue-zague, o que pode causar enjoo. Recomenda-se tomar um comprimido apropriado com pelo menos meia hora de antecedência. Guardar jejum de duas horas antes da decolagem ajuda. Toda medida preventiva é bem-vinda. Afinal, não dá para chegar até aqui e colocar em risco experiência tão inusitada.

A alternativa ao voo é apreciar as Linhas de Nazca de cima dos mirantes instalados perto da estrada que corta a região, cuja construção, por sinal, mutilou alguns desenhos e apagou outros.

Fique de olho. Recentemente, apenas sete dos mais de 40 monomotores que operam no Aeródromo María Reiche foram autorizados a realizar os voos panorâmicos. O governo peruano submeteu as 14 empresas cadastradas a um teste de segurança, depois do acidente, em fevereiro, que resultou na morte de sete pessoas. Apenas quatro foram aprovadas: Aero Diana, Aero Paracas, Alas Peruanas e Travel Air.

"Ficou evidente que é preciso melhorar as operações no aeródromo de Nazca", declarou, à época, o presidente da Associação de Transporte Turístico de Naza, Efraín Alegría Huamaní. Melhor ficar atento.

 

 

Fotos. Imagens das Linhas de Nazca no blog do Viagem

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.