Yolanda Fordelone|Estadão
Yolanda Fordelone|Estadão

As múltiplas facetas de Porto Seguro

Do clima estudantil do centro ao luxo de Trancoso, passando pelo ar família de Arraial d’Ajuda, há espaço para todos nos vários distritos que compõem a cidade

Yolanda Fordelone / PORTO SEGURO, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2015 | 04h23

Conhecida por ser um destino voltado ao público jovem, meca das formaturas e das chamadas semanas do saco cheio, Porto Seguro vem mostrando que tem outras facetas. Além do turismo estudantil, concentrado nos grandes hotéis próximos ao centro, a cidade baiana aposta suas fichas no luxo de Trancoso, na gastronomia de Arraial d’Ajuda e na herança indígena e histórica da Costa do Descobrimento.

Preparada a cidade está. Atualmente, Porto Seguro conta com um imenso parque hoteleiro que soma 45 mil leitos, perdendo somente para São Paulo e Rio de Janeiro. Os tipos e preços de hospedagem variam tanto quanto a clientela – enquanto os estudantes procuram as opções mais baratinhas (é possível encontrar pacotes de três noites, com aéreo, por R$ 700), o público de Trancoso encontra hotéis requintados e exclusivos, com diárias que ultrapassam os R$ 1 mil.

O agito clássico de Porto Seguro fica na praia de Taperapuã, mas dá para encontrar sossego na Praia do Mutá. Apenas um rio, o Buranhém, separa Arraial d’Ajuda do centro de Porto Seguro. A divisão, no entanto, garante uma mudança drástica, no público e na paisagem. Em Arraial, é possível observar com mais nitidez os imensos paredões de falésias que vão de Prado até Belmonte, ao norte de Porto. É delas, aliás, que os corajosos se jogam para um voo de parapente do qual se tem uma ideia ainda melhor dos contornos da região, na praia da Pitinga. Custa a partir de R$ 200.

As falésias e a Mata Atlântica abundante podem ser contempladas do mirante no centrinho de Arraial, atrás do santuário de Nossa Senhora d’Ajuda. Amarradas nas grades, as fitinhas coloridas são um sinal dos pedidos feitos por moradores e turistas para a padroeira da região.

O mar azul deste trecho também é convidativo pela calmaria de suas águas. Uma barreira de corais a 10 quilômetros mar adentro faz com que as águas tenham poucas ondas – Araçaípe, por sinal, é uma das praias mais agradáveis, com barracas para petiscar e curtir o dia. Parracho e Taípe também fazem valer a visita.

Arraial tem clima mais familiar e enorme variedade gastronômica, concentrada principalmente na Rua do Mucugê. É possível escolher entre as receitas tipicamente italianas do Don Fabrizio ou do Manguti. Provar o tempero da Bahia no Morena Flor ou a culinária japonesa preparada com esmero no Sushi do Beco e no Clube do Sushi.

Como durante o dia os turistas estão ocupados demais tomando sol, é à noite que a região ganha vida, com restaurantes, bares e lojas charmosas funcionando a todo vapor. Veja a variedade de opções no site ruadomucuge.com.br.

Para garantir melhorias e padronização da arquitetura local, os comerciantes montaram uma associação com cerca de 100 participantes, em funcionamento há 12 anos. Graças a ela, a Praça Caminho do Mar, onde antigamente funcionava uma pousada, virou reduto da boa música. À noite, há sempre shows de MPB, jazz e pop rock para animar.

Requinte. O cenário muda novamente seguindo mais 20 quilômetros, rumo ao sul. A vilinha de chão batido de areia e casas coloridas, vizinhas de uma igrejinha – o famoso Quadrado de Trancoso – manteve o charme, mas já não é mais a mesma.

Trancoso virou a queridinha de celebridades e de um público que busca exclusividade – e encontra o cenário ideal entre pousadas discretas e hotéis luxuosos como o Terravista Golf Course (terravistagolfcourse.com.br), um megaempreendimento que reúne dois condomínios, um aeroporto particular, o teatro L’Occitane (palco do festival anual Música em Trancoso), o hotel Club Med e um campo de golfe considerado um dos três melhores do País. Nomes como Ronaldo Fenômeno e Galvão Bueno já jogaram ali – o preço para os 18 buracos do campo é de R$ 300.

As casinhas do Quadrado agora abrigam restaurantes com mesas ao ar livre e arquitetura rústica, mas preços ligeiramente mais salgados do que em Arraial. Nas imediações, há pousadinhas charmosas como a Capim Santo (capimsanto.com. br) e o Hotel da Praça (hoteldapraca.com.br). De trás da igreja avista-se a Praia dos Coqueiros, onde fica o bar do requintado hotel Uxuá e, na alta temporada, o badalado Café de la Musique.

 

Cultura indígena e um pouco de história

Convencionou-se chamar de Costa do Descobrimento os 165 quilômetros que separam Belmonte e Caraíva. Foi ali, segundo os livros de História, que Pedro Álvares Cabral desembarcou e deu o Brasil por descoberto. Em Porto Seguro, é possível entender um pouco melhor esse episódio do ponto de vista dos portugueses e dos índios. 

A começar por um passeio pela Reserva da Jaqueira, uma comunidade com 32 famílias de índios pataxó localizada a 2 quilômetros da rodovia que liga Porto Seguro a Santa Cruz Cabrália, em uma estrada logo após a barraca Barramares. 

Os índios se instalaram na reserva em 1997, mas só em 2000 passaram a receber turistas. O passeio dura cerca de três horas e possibilita um contato com a cultura pataxó: os turistas caminham entre as ocas e descobrem curiosidades. Como o fato de os índios comprometidos pintarem dois traços no rosto em vez de usarem aliança. 

O local conta ainda com uma plantação de pau-brasil, que foi praticamente dizimado pela exploração desenfreada nos tempos do Brasil colônia. Aproveite para levar uma lembrancinha realmente artesanal comprando um dos artigos feitos pelos pataxós. No fim da visita, há degustação do peixe guaricema, preparado à maneira indígena. Agências de Porto Seguro fazem o passeio cobrando a partir de R$ 50, com transporte.

Lembranças de Portugal. Viajar para o lado português é mais fácil. Não só em Porto Seguro, mas em Arraial d’Ajuda e Trancoso há igrejas com a arquitetura colonial tipicamente portuguesa. Há ainda os passeios ao centro histórico de Porto Seguro, que conserva a primeira vila do Brasil, com suas casas coloridas, a Matriz Nossa Senhora da Penha, o Museu de Arte Sacra e a antiga prisão da cidade. Dali, tem-se uma ótima panorâmica de Porto Seguro e de parte de Arraial d’Ajuda. 

Outro marco é o Memorial da Epopeia do Descobrimento, que tem como destaque a réplica de uma das naus utilizadas pelos portugueses na viagem até o Brasil. É possível subir na embarcação, conhecê-la por dentro e imaginar como viveram os navegantes portugueses da época. Não se admire com a pouca altura dos cômodos: a média de altura dos portugueses naquela época era de apenas 1,60 metro. O ingresso custa R$ 10 e crianças até 12 anos não pagam

 

Outras vila no sul da Bahia

Corumbau: de difícil acesso – são 220 quilômetros desde Porto Seguro, boa parte em estrada de terra –, a remota Ponta do Corumbau é, ao mesmo tempo, uma vila de pescadores autêntica e um enclave de pousadas sustentáveis chiques. Na maré baixa, os bancos de areia fazem surgir piscinas naturais; para passear, há mergulho, caiaque e cavalgadas.

 

Caraíva: provavelmente e vila com atmosfera mais rústica do sul da Bahia, Caraíva nunca fica tão cheia quanto Trancoso ou Porto Seguro, a cerca de 2h30 de distância. Desde que ganhou rede elétrica, em 2008 (com fiação enterrada, exigência da comunidade), a infraestrutura melhorou, mas as ruas de areia continuam sem luz à noite. A orla do rio é tão agradável quanto a do mar. Mais: caraiva.com.br.

 

Santa Cruz Cabrália: no município ao norte de Porto Seguro fica Santo André, o tranquilo vilarejo de praia escolhido como base pela seleção da Alemanha (toc! toc! toc!) durante a Copa de 2014. O resort Campo Bahia (campobahia.com/pt), que abrigou os alemães, é opção de hospedagem. O encontro do rio com o mar é o trecho mais agitado; a praia é sempre deserta.

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