Eduardo Asta
Eduardo Asta

As poderosas quedas d'água do Zimbábue

Na cidade de Victoria Falls, detentora do título de Capital da Aventura na África em reportagens e listas mundo afora, o ponto alto são as atividades radicais do Rio

Bruna Tiussu, Dar-es-Salaam

17 Abril 2018 | 04h20

Welcome to the new Zim!”, “bem vindo ao novo Zim!”. É assim que os zimbabuanos têm dado as boas-vindas aos turistas desde que Robert Mugabe foi deposto da presidência, em dezembro. A queda do ditador, depois de 37 anos, criou uma atmosfera de esperança: Emmerson Mnangagwa, novo líder de Estado (e ex-vice de Mugabe), prometeu milagres para por fim à corrupção que estagnou a economia nas últimas décadas. 

Pisar em Victoria Falls, porém, dá a falsa impressão de que não existe muita estagnação, não. A cidade – no extremo oeste do país, na divisa com a Zâmbia –, tem infraestrutura fora do comum para padrões africanos. Ruas em sua maioria asfaltadas, shoppings no estilo norte-americano, restaurantes com menus ocidentais e hotéis de rede sempre cheios. Com tudo isso, Victoria Falls é de longe o destino mais caro do nosso roteiro. 

É assim desde a década de 1990, quando o Zimbábue recém independente do Reino Unido começou a explorar o potencial turístico da gigantesca cachoeira que dá nome à cidade. Alimentadas pelas águas do Rio Zambezi, as Cataratas Vitória são formadas por um impressionante conjunto de quedas alinhadas ao longo de 1,5 quilômetro. Chegam a ter 108 metros de altura. 

Visitá-las é um passeio semelhante ao que fazemos na nossa Foz do Iguaçu. O Parque Nacional tem longos trajetos a serem percorridos a pé e 16 mirantes para apreciar as quedas de todos os ângulos possíveis. Leve capa de chuva se não quiser deixar o local encharcado, especialmente na época das chuvas, de dezembro a março.

Se ver de perto esse Patrimônio Natural da Humanidade é impressionante hoje, imagine o que sentiu David Livingstone em 1855. O missionário escocês foi o primeiro explorador branco a vislumbrar as cataratas, até então chamadas de “a fumaça que troveja” pelo povo nativo Kololo. Como bom seguidor da cartilha dos europeus exploradores, Livingstone não teve dúvidas: reportou a “descoberta” à família real do Reino Unido e a rebatizou em homenagem à sua rainha.

Para os fortes. A cidade de Victoria Falls também tratou de investir no potencial para atividades radicais do Rio Zambezi. Vira e mexe recebe o título de Capital da Aventura na África em reportagens e listas mundo afora.

Há um fluxo constante de gente em pontos criados especificamente para fazer a adrenalina subir. Um deles é a Ponte Victoria, via que liga o Zimbábue à vizinha Zâmbia. É dali que os mais corajosos se jogam no bungee jumping e na tirolesa, com o rio ao fundo. 

Cair literalmente no Zambezi também é uma opção: basta encarar o rafting. A atividade mais vendida pelas empresas turísticas locais é classificada como nível 5 e considerada uma das mais radicais do mundo. Prepare seu coraçãozinho. 

O bote cumpre um percurso de 15 quilômetros rio abaixo, em quatro horas. As altas montanhas que delimitam o rio formam uma paisagem lindíssima, que você às vezes vai deixar de reparar por colocar toda a atenção nas 13 corredeiras do trajeto, com nomes autoexplicativos: máquina de lavar, dia do julgamento, vaso sanitário do diabo. Sua habilidade com o remo e sua disciplina em seguir as instruções do guia estarão sempre à prova. Em alguns casos, entretanto, não há força ou jeito que faça você permanecer dentro do bote. 

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