Aspecto de reforma inacabada faz a graça da Gênova de hoje

Mesmo nos monumentos recuperados, como o Palazzo Ducale, fica fácil imaginar a cidade[br]de antigamente

Mônica Nóbrega / GÊNOVA, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2010 | 02h46

Pelas caruggis medievais da parte mais antiga da cidade ainda são vistas muitas construções com as fachadas amarelas e vermelhas-tomate borradas pelo tempo. Gênova guarda nessas ruazinhas, por vezes tão estreitas que dão passagem a apenas uma pessoa e tão características que ali ganharam nome específico, as marcas evidentes da degradação que sofreu até não muito tempo atrás.

A idade avançada (a fundação data do século 4º a.C.), o descaso dos sucessivos governos, a maresia: besteira procurar culpados. Importa mais saber que, nos últimos 15 anos, um banho de loja está em curso. A recuperação se intensificou a partir de 2004, quando Gênova foi escolhida Capital Cultural da Europa. Desde então, pontos turísticos foram restaurados e a Unesco reconheceu como Patrimônios da Humanidade o Pallazi dei Rolli e as Strade Nuove, conjunto de ruas com mais de uma centena de palacetes erguidos no século 16, segundo preceitos barrocos.

É justamente neste aspecto de reforma inacabada que reside, atualmente, a graça de Gênova. Fica fácil imaginar os portões do Palazzo Ducale, hoje uma fundação cultural (programação em www.palazzoducale.genova.it), guardados por soldados incumbidos de proteger a realeza instalada lá dentro. A fachada, afinal, é praticamente a mesma da época da construção, no século 14. E, em seguida, descansar as pernas e observar o ir e vir de moradores saboreando um cappuccino num dos cafés pelos arredores.

Piazza de Ferrari, a principal, Catedral de San Lorenzo, Teatro Carlo Felice e o Duomo, com sua fachada de listras em dois tons, são outros pontos a percorrer pelo centro histórico. Há tours guiados a pé nos fins de semana: sábados, às 10 horas e às 14h30, e domingos, às 10 horas. Ingressos custam 12 e são vendidos no Centro de Visitantes da Via Garibaldi e na Piazza de Ferrari.

Homem ao mar. Por sua geografia e pela vocação dela resultante, Gênova se volta para o mar. Espremida entre o oceano e montanhas que formam um anfiteatro natural, a cidade fez do porto o centro da vida local ? depois de derrotar Veneza, com quem vivia às turras, no século 14, e experimentar um período de grande desenvolvimento e sucesso financeiro.

O Porto Antigo, por onde circulava Cristóvão Colombo, o mais célebre dos genoveses, antes de vir descobrir as Américas no século 15, foi recuperado. Ganhou píer, aquário, museu (leia mais acima) ? sem perder o sopro de antigamente. Trazido, talvez, pela maresia.

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