Até agora, uma Copa dos sonhos

Nosso infatigável viajante está, provavelmente, em algum lugar do Brasil. A redação o aguarda com enorme expectativa, apesar das duas primeiras derrotas da Inglaterra na Copa do Mundo. Alguns leitores, entretanto, mostram-se pouco amáveis com tal situação. Veja, por exemplo, o que diz a carta da semana:

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2014 | 02h07

Caro mr. Miles: soube que o senhor está no Brasil acompanhando a Copa do Mundo e acabo de ver a Inglaterra perder a segunda partida da fase de grupos. Diante disso, o que o senhor está achando desse campeonato mundial? Gutenberg Mello, por e-mail

"Well, my friend: escrevo-lhe estas linhas justamente após o jogo que perdemos para o Uruguai (N. da R.: 2 a 1 para a seleção sul-americana). Foi uma linda festa e uma partida épica. Como não posso prever o futuro e o english team ainda tem chances muitíssimo remotas de alcançar a classificação, prefiro dizer que, as always, vim para a Copa com o melhor do fairplay na minha bagagem. Estou simplesmente astonished com o que tenho visto neste Mundial repleto de grandes embates no mais cordial e ameno dos ambientes.

Confesso-lhe, dear Gutenberg, que esperava uma temporada tensa, em função de todos os problemas apontados nos jornais: manifestações, falta de mobilidade, violência urbana, caos aeroportuário. Pois devo lhe dizer que, até o momento, sinto-me parte de uma das mais belas festas esportivas de todos os tempos.

Lembro-me que, ainda há pouco, floresceu nas redes sociais uma teoria fatalista chamada "imagine na Copa". Pretendiam seus autores que o maior espetáculo esportivo da Terra fosse um desastre inominável.

A verdade, however, é que está tudo funcionando bem até o momento (remember: hoje, quando escrevo essas linhas, o dia é 19 de junho). Há, of course, fatos deploráveis como a invasão de vândalos chilenos em áreas restritas do Maracanã e outros episódios menos relevantes. Entretanto, é forçoso admitir que os visitantes, presentes na casa das centenas de milhares, são muito mais descolados e menos exigentes do que supunha a turma do não-vai-dar-certo.

Acredito, indeed, que o sucesso da Copa não deva ser creditado ao governo, mas, decerto, ao vosso País encantador. Apesar das intermináveis tentativas que vejo de mesclar o governo com o País, parece-me muito claro que os brasileiros são melhores do que os que os comandam - e é preciso, of course, equalizar tudo isso.

Anyway, dear Gutenberg, esta Copa, como muitas outras, deixa-me feliz ao ver a maneira simples e admirável como os povos se relacionam, se amam e se divertem, exatamente do jeito que deveriam fazer todos os dias em todos os tempos.

Torcedores (ao menos a maior parte deles) são viajantes descolados que não se importam com filas em aeroportos ou qualquer outra situação típica da presença de multidões. Eles querem, for sure, encontrar-se. Beber juntos, dormir ao relento, entender um ao outro. Esse é o verdadeiro espírito de uma Copa.

Sobre vencer, my friend, este é um tema que poderia deixar-me triste. Meu reino não tem apresentado, até hoje, o futebol que deveria - apesar de tê-lo inventado. Mas o que importa se a Grã-Bretanha perde e os britânicos ganham?

Em Manaus, I'm sorry to say, o time foi derrotado pela Itália (N. da R.: o placar foi 2 a 1 para a Azzurra). Mas eu não posso reclamar: conheci Gina, que me deu a mais amazônica das noites. Hoje, perdemos para o Uruguai. Dolores, however, está aqui ao meu lado, esperando que eu termine a coluna para contar belas histórias cisplatinas que ainda não conheço. Ou seja: não tenho do que reclamar. Hope to see you somewhere, dear Gutenberg!".

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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