Divulgação
Divulgação

Balada vip nas alturas de Moscou

No teto de uma cervejaria antiga, o concorrido Krysha Mira (ou ?topo do mundo?) reúne o jet set internacional

Juliana Rocha, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2009 | 00h56

No coração de Moscou é sempre Natal. As lojas instaladas no térreo dos prédios centenários do centro histórico exibem vitrines eternamente enfeitadas com lâmpadas piscantes. Desenhos coloridos que anunciam logomarcas e promoções noite adentro.

Tanto que é possível dispensar a iluminação pública e se guiar apenas pelas cores do comércio da Avenida Tverskaya: azul e verde para bingos e joalherias; amarelo para lojas de eletrônicos; rosa e vermelho para butiques de roupas e sapatos. Acostumados a temperaturas na casa dos 30 graus negativos, os russos comemoravam o atraso na chegada do frio e o clima ameno - 5 graus positivos. Até bem tarde ainda era possível encontrar pessoas caminhando pela rua.

Diante do clima de festa, deixar o ambiente aquecido do bar do Marriot Grand Hotel, pouco antes das 2 horas, para ir a uma danceteria do outro lado de Moscou não pareceu nenhum sacrifício. Partimos em cinco: três russos, um austríaco e eu. Nossa entrada, explicou-nos Vlad Tanvel, que liderava a excursão, dependia de uma pequena operação de troca temporária de identidade. Não havia dado tempo de incluir na lista de convidados nem o meu nome nem o do jornalista austríaco. Sem nome nesse rol, impossível ter acesso ao clube Krysha Mira - ou "topo do mundo", em bom português. "Mas colocamos nomes extras", explicou Tanvel. A partir dali, fui rebatizada como Sônia Vásquez.

Labirinto

De carro, atravessamos a via sobre o Rio Moscou e chegamos à antiga cervejaria Badaevsky, na Rua Tarasa Shevchenko. Com a parca iluminação, mal avistei o complexo de tijolos aparentes datado de 1800. No topo de um dos prédios fica o mais badalado clube noturno de Moscou. Na vizinhança silenciosa, Tanvel começou a subir uma longa escada de ferro.

No patamar intermediário, em um aclive, quatro seguranças exibiam caras de poucos amigos. Temi que pedissem o passaporte e descobrissem a farsa, mas, felizmente, fomos todos aceitos. Ainda cruzamos com outros dois seguranças na parte mais alta da escada, responsáveis por abrir os pesados portões de ferro no longo muro.

Depois de mais uma escada de ferro chegamos ao hall claustrofóbico. Funcionários se encarregam dos casacos pesados. Até ali, nada tinha cara de danceteria. Parecia mais uma visita a um sítio histórico secreto, controlado por agentes federais. Um novo lance de escadas muda repentinamente a sensação. Alcançamos um andar amplo, inteiramente espelhado. Divãs de couro branco sugerem descanso e relaxamento.

No bar, um garçom sorridente oferece bebidas, apontando a coqueteleira em nossa direção. Fico espantada com os muitos rublos ao lado de uma carta de drinques limitada, ainda que internacional. Escolho um mojito e levo um susto ao recebê-lo: o copo bate quase na minha cintura. Tenho nas mãos 1 litro de rum, soda e hortelã macerada.

Modelos, atletas e a nata da noite de Moscou formam o público do lugar. A reputação do Krysha Mira é tamanha que o clube, aberto às sextas e aos sábados durante os meses quentes, se dá ao luxo de promover festas com dress code predeterminado. E consegue quórum que o respeite. Segundo as fotos disponíveis no site, já ocorreram noites "espaciais" e "da pantera cor-de-rosa".

A grande atração da noite está a outro lance de escadas de distância. A pista principal fica no teto do antigo prédio da Badaevsky. São duas enormes tendas brancas armadas em uma das partes mais altas do complexo. As laterais são fechadas com paredes de vidro. A vista é magnífica. Para apreciá-la vale a pena enfrentar o frio na área descoberta. É possível ver a linha de arranha-céus em construção da chamada Moscou Comercial, a oeste da cidade, com previsão para se livrar dos guindastes só em 2020.

Ali estão os 67 andares de escritórios, os apartamentos e o cassino do Edifício Eurásia. Em breve, também será possível espiar a nova sede do governo moscovita: o complexo de quatro torres em formato de M já deveria ter sido entregue, mas continua em construção.

Site: www.kryshamira.ru

 

Desfilar, dançar e ver o dia clarear 

 

 

2h30

O Krysha Mira ainda está vazio. Conto 12 pessoas na pista principal. Todas extremamente bem vestidas, com tubinhos descolados, camisetas com detalhes que brilham sob as luzes do clube e coletes de pele sintética. Mais batidas eletrônicas - desta vez, house - e alguns já dançam.

O clube repentinamente fica lotado. Não param de chegar novos convidados à pista. E já estão todos animados, entregues ao DJ que comanda a festa, levantando os braços e dançando. Os frequentadores surgem em pequenos grupos formados por três ou quatro pessoas.

3 horas

Posicionam-se diante da cabine do DJ em semicírculos e dançam, dançam, dançam. Pela configuração "clube-exclusivo-para-alta-classe-e-grupos", o ambiente não parece favorável a encontros casuais - nem à paquera.

A festa prossegue em ritmo crescente de animação até esse horário. Mas a casa continua aberta, e com DJs a postos, até 10 horas. Infelizmente, não posso aproveitar os primeiros raios de sol sobre a cidade dentro do clube, já que tenho de embarcar no voo para São Paulo.

Contudo, mantenho os amigos russos, para poder retornar à cidade - e ao clube, claro!

6 horas

Em outros locais predominam o pop-rock russo e os 40 hits mais batidos de qualquer pista de dança do planeta. Mas o Krysha Mira é bastante diferente do restante da cena de Moscou. É o topo do mundo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.