Baleias e florestas à vista

Não é preciso ir muito longe de La Malbaie para entender porque Charlevoix virou patrimônio natural da Unesco. Basta 1h30 de carro para ver o mais belo espetáculo da região, protagonizado pelas baleias.

O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2009 | 02h40

Em dez minutos, cruzamos em um ferry o Rio Saguenay, no ponto de confluência com o Rio Saint Lawrence, e aportamos no povoado de Tadoussac. Lá, embarcamos em um bote inflável da empresa Croisieres AML (www.croisieresaml.com; desde 58 dólares canadenses ou R$ 97), que nos levou para fora do Rio Saint Lawrence, onde sete espécies de baleias aproveitam as águas profundas e salgadas do Canal Laurentian, que corre do golfo para o rio.

Apesar de ser meados de julho, a temperatura era de 4 graus, e uma chuva fina se materializou, o que, junto com as águas agitadas, adicionou autenticidade à aventura. O capitão havia prometido "muitas baleias" e não tinha exagerado. Perto de um farol abandonado, o bote foi repentinamente rodeado pelas gigantes - algumas, ele estimou, com 6 metros de comprimento - e por grupos de leões marinhos que brincavam nas águas agitadas. Foi a melhor observação de baleias que já experimentei. O barco inflável chegava tão perto dos animais que nossas palavras eram interrompidos pelos esguichos no rosto. O cruzeiro pelas águas profundas, cinzentas e tumultuadas, afinal, valeu o esforço.

Para quem prefere ficar em terra, a opção é o Parque Nacional Haute Gorges de la Riviere Malbaie. Dirigimos uma hora, a partir de La Malbaie, mas a Acropole, trilha mais famosa da reserva de 362 quilômetros quadrados, estava interditada devido às chuvas sazonais. Optamos por três caminhos mais curtos.

Haute Gorges mostrou-se um lugar resplandecente, com as águas muito claras do Rio Malbaie-Colorado serpenteando em meio a profundas gargantas verdes e vales cobertos de mata densa. Tudo ao som do deslocamento das águas, dos ventos e do gorjeio dos pássaros. Do cume de uma montanha de 244 metros de altura, tivemos uma vista parecida com o que se veria de um helicóptero. Lá embaixo, o rio cintilante.

Outra caminhada levou, entre subidas e descidas pela densa floresta, a um pequeno lago muito verde. Renas, veados e castores nos espiavam de seus abrigos sob as árvores. Ocasionalmente, um olhar para o céu renderia o deslumbre de uma águia em pleno voo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.