Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Belém, bairro das navegações, ganha traço ousado

À beira do Rio Tejo, novo museu propõe debates sobre o presente e o futuro. Depois, reserve tempo para o clima ‘cool’ do LX Factory

Mônica Nobrega, Lisboa / O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 04h27

Foi com uma “exposição-manifesto”, na definição da curadoria, que o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) inaugurou em março seu prédio mais novo. A construção branca, mais baixa que tudo ao redor e cujo formato lembra uma onda, exibiu a mostra Utopia/Distopia, uma reflexão sobre a atualidade com subtemas como as cidades do futuro. 

A Lisboa do futuro que o MAAT propõe é feita para ser vista e tocada. Tem mirante no forro e, na entrada, escada que desce até as águas do rio. Neste calorão de agosto, foi refrescante sentar ali e tirar os sapatos para mergulhar os pés no Tejo. 

A exposição Utopia/Distopia terminou ontem, mas outra obra questionadora está em cartaz até 18 de setembro. Na instalação Eu Nunca Tinha Sido Surrealista Até o Dia de Hoje, o artista cubano Carlos Garaicoa explora as relações reais e imaginárias entre homem e urbanismo. 

No outro prédio, este do começo do século 20, que abrigava o antigo Museu da Eletricidade, o português João Onofre usa tecnologia para brincar com a luz nos espaços urbanos, aproveitando a antiga sala das caldeiras – que estão lá, expostas. 

Terminada a visita ao MAAT, talvez seja o caso de curtir o fim da tarde no vizinho SUD. O empreendimento, aberto em julho, tem restaurante e uma piscina no terraço com vista para a Ponte 25 de Abril, um cartão-postal lisboeta. O acesso custa 35 euros por pessoa

Belém, bairro onde está o MAAT, é endereço de pontos turísticos clássicos: Torre de Belém, Padrão dos Descobrimentos, Mosteiro dos Jerônimos, a confeitaria que faz pastéis de nata desde 1837. E tem um atrativo que os turistas deixam passar: no verão, até 8 de setembro, o ótimo Centro Cultural do Belém apresenta música e cinema no jardim, gratuitamente. 

Rabiscos. Do Belém, fui a pé (1,3 quilômetro; a alternativa é pegar o elétrico 15) até o LX Factory, em Alcântara. As paredes grafitadas entregam o clima geral das lojas, restaurantes, ateliês e um hostel instalados nos galpões do século 19, que foram uma tecelagem e hoje formam um dos endereços mais descolados de Lisboa. 

Meu objetivo ali era comprar presentes na loja Bairro Arte (bairroarte.com) e fazer uma tatuagem no estúdio Queen of Hearts, que havia sido recomendado. Mas, sem agendamento prévio, não consegui meus rabiscos na pele. Faça reserva.  

Dizem que os hambúrgueres da Burger Factory estão entre os melhores da cidade, e foi num deles que me joguei para compensar a frustração. Com batata frita e cerveja, gastei 11,50 euros. Difícil não sair feliz. 

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