Cristóbal Correa / Divulgação
Cristóbal Correa / Divulgação

Belén

A 3300m de altitude, a fuga dos roteiros convencionais do Chile

Juliana Mezzaroba, O Estado de S. Paulo

20 Dezembro 2016 | 04h30

De Codpa a Belén são 81 quilômetros, em uma estrada de terra, com curvas sinuosas. Uma subida em marcha lenta, a cerca de 40 quilômetros por hora, para evitar também o mal-estar ocasionado pelo ar rarefeito. 

Não há postos de gasolina no caminho, por isso é importante estar prevenido. Nosso guia trouxe tudo o que precisaríamos: água, comida e combustível.

Don Vicente preparou um piquenique à sombra de eucaliptos, no povoado de Ticnamar. Ali, mais uma vez, os traços da colonização espanhola são evidentes – até os eucaliptos que nos proporcionaram sombra foram plantados por eles, para que a madeira pudesse ser utilizada na construção de casas. 

De volta à estrada, a paisagem começa a se transformar. O marrom do cascalho vai ganhando o verde da vegetação pré-cordilheira, que recebe água das geleiras do altiplano. Aqui já é possível ver mais vida, plantações, fazendas com criação de vacas, ovelhas, lhamas, que nos observam com curiosidade. As paradas para fotos são inevitáveis. 

No meio da tarde, chegamos a Belén com um sol que já não nos esquentava. Estamos a 3.300 metros de altitude, em um povoado onde vivem apenas oito famílias – pouco mais de 50 pessoas. Ali conhecemos mais sobre o trabalho da Fundação Altiplano, que junto com os moradores restaurou as três igrejas da cidade, afetadas pelo terremoto de magnitude 8,2 que atingiu a região em 2014. 

As capelas são modestas, pequenas, com poucas imagens e alguns bancos de madeira Suas maiores riquezas são a simplicidade e a fé de quem as frequenta. Os moradores que encontramos tentam explicar a necessidade de ter um lugar, mesmo que pequeno, para cultivar sua crença e seguirem passando seus valores de geração para geração. 

Além da reforma nos templos, a população também demonstrou interesse em transformar o lugar, com o objetivo de ser mais atraente e acolhedor para o turismo. Assim fez Adela Cutipa, dona da pousada La Paskana. Nascida em Belén, morou 27 anos em Arica e decidiu voltar à cidade de origem para empreender. “O turismo é uma atividade muito bonita, as pessoas se interessam pelo lugar onde você mora e você pode mostrar o que tem para elas”.

 

Novos amigos. Durante o jantar, conhecemos o único turista da Rota das Missões além do nosso grupo. O alemão Peter, de 73 anos, decidiu vir passar 2 meses na região justamente por não se tratar de uma rota de turismo convencional pelo Chile. Quando perguntado por que não quis ir para um destino mais comum, como San Pedro de Atacama, ele franze a testa e move a cabeça em negativa. Reação parecida com a da dona pousada que está à mesa conosco. Ela conta que o local necessita de turismo, mas nada muito grande, que bagunce a cidade e acabe com a paz local como em San Pedro. 

A hospedagem com jantar e café da manhã custa 22 mil pesos, pouco mais de R$ 100. O bate-papo e a simpatia da dona são de graça. 

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