Viagem

Bem-vindo a Porto Rico, a Ilha do Encanto

Praias estonteantes, mulheres sensuais, salsa, Rick Martin. O cenário que vem pronto aos que se lembram de Porto Rico é verídico. No entanto, corresponde a apenas parte da realidade. A cinematográfica "Isla del Encanto", da música e dos atributos naturais, convive com uma outra, da boemia e das atrações históricas, ainda por ser explorada. Importante saber antes de fazer planos para voar à terra do Menudo: quem dá as cartas no país, desde 1898, são os americanos. O lugar vive sob a estranha condição de "Estado livre associado aos Estados Unidos". Ou seja: livre, mas nem tanto. Nem é um país totalmente independente nem um Estado totalmente americano. O certo, por enquanto, é que tudo funciona sob as normas políticas e econômicas ditadas pelo governo de George Bush. É preciso ter visto americano no passaporte para entrar. E a moeda corrente é o dólar ianque, embora muitos habitantes mais velhos chamem a moedinha de 25 cents de "peseta". As tarifas de ligações telefônicas e correio são as mesmas que nos Estados Unidos. A onipresença norte-americana, se por um lado gera certo mal-estar em parte dos habitantes, faz Porto Rico estar bem à frente de seus vizinhos mais próximos - Cuba, República Dominicana e Jamaica. Serviços médicos e companhias telefônicas funcionam, e as ruas são pavimentadas. A frota de carros é nova e tão grande - dos 3,9 milhões de habitantes, um terço possui automóveis - que ninguém liga muito para o serviço de ônibus. Caso queira fazer um tour com um deles, tenha calma. Embora sirvam todas as cidades e custem meros 25 centavos, só passam nos pontos de meia em meia hora. Spanglish - A chegada é no bem estruturado Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marin, em San Juan. Se o inglês não estiver afiado, não se preocupe. Daí para frente, todos, do sorveteiro ao motorista de ônibus, falam bem inglês e espanhol. Há até quem arrisque o spanglish, mescla das duas línguas que resulta em intrigantes conversas iniciadas em um idioma e terminadas em outro. Há também expressões gastronômicas curiosas, como "eggs com tocinos" (ovos com bacon) ou "yuca fritters" (mandioca frita). As noites, ainda pouco divulgadas pelo próprio Instituto de Turismo, surpreendem pela farta oferta de casas de show, bares e restaurantes. Embora "adotados" pelos americanos, que já enviaram para lá suas redes de McDonald´s, Hard Rock Café e Burguer King, os nativos fazem questão de reafirmar sua cultura gastronômica e musical. Bailes e festas, sempre com um grupo de salsa ou merengue no palco, são pensados para dois públicos bem distintos. Os que querem mais glamour e menos ruído devem procurar por um dos eventos abertos realizados nos pomposos hotéis-cassino das cidades principais como a capital San Juan, Ponce, Arecibo, Mayagüez e Aguadilla. Localização estratégica - Notívagos mais despojados, que preferem fugir do clima "festa para turista ver", podem se dar bem nas vielas estreitas e de paralelepípedo de Viejo San Juan, espécie de "Pelourinho" dos porto-riquenhos. A história singular de uma terra habitada originalmente por tribos de índios taínos e que, no fim do século 19, foi tomada dos descobridores espanhóis pelos americanos por ser considerada um esplêndido ponto para se ter uma base militar, se faz notar em tudo. Apenas em San Juan são mais de 15 museus e cinco fortalezas que preservam mais de 500 anos da miscigenação cultural que ocorre por lá desde a chegada de Cristóvão Colombo, em 1493. Alugar um carro por uma semana sai mais barato do que depender dos táxis, que cobram uma média de US$ 12 para qualquer corridinha de dez minutos. Só precisa ter mais de 25 anos e possuir carteira de motorista. Há agências no aeroporto e nos hotéis principais. Carnaval de Ponce - Um motivo a mais para se descolar um carro é a ida a Ponce, que fica a 90 minutos ao sul de San Juan pela Rodovia 52. Banhada pelo Mar do Caribe, é a segunda maior cidade de Porto Rico (300 mil moradores), conhecida como a Nova Orleans dos caribenhos, com casas que misturam estilos neoclássico, art déco e crioulo. Uma semana antes da Quarta-Feira de Cinzas, o Carnaval de Ponce leva para as ruas foliões vestidos com máscaras de papelão que lembram figuras demoníacas. Mais para o interior do Estado, passeios rápidos como ao Parque de Bombas, um antigo e desativado Corpo de Bombeiros, são de encher os olhos. A Mansão Castillo Serrallés, no Morro El Vigia, casa de uma tradicional família produtora do rum Don Q. (pronuncia-se don cu), do século 19, também tem suas surpresas. Tudo, incluindo um elevador de 1924, um rádio Silvestone de 1929 e uma geladeira dos anos 30, é mantido em pleno funcionamento. Definitivamente, nem só de piña colada, sol e Rick Martin vive a Ilha do Encanto.

25/06/2001 | 13h44

Agencia Estado