Aryane Cararo/AE
Aryane Cararo/AE

Bonifácio, um castelo de areia sobre falésias

Do mar, a vista do pequeno vilarejo impressiona por sua beleza e fragilidade. Em terra, um trenzinho leva ao centro antigo, onde o barato é se perder entre as ruas

ARYANE CARARO / BONIFÁCIO, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2012 | 03h08

Os dedos tocam levemente o paredão branco que se ergue acima da cabeça e abaixo dos pés. No contato, uma troca de energias, uma sensação de pertencimento. O gigante calcário se esfarela com o suave deslizar das mãos, mostrando que a imponência da falésia, sobre a qual se equilibra o vilarejo de pedras de Bonifácio, no sul da Córsega, vive em frágil equilíbrio há milênios. Um castelo de areia ancorado no Mar Mediterrâneo, esculpido pelas ondas e pelos ventos.

É descendo os 187 degraus das Escadas do Rei de Aragão - ou da Escalier du Roi d'Aragon, como manda o idioma oficial, francês, muito embora também se fale o corso - que você descobre toda essa beleza e fragilidade. O caminho é talhado no paredão em um ângulo tão próximo do reto que o caminho de volta parece uma escalada. São 65 metros para chegar à cidade alta. Vale a pena.

O paraíso, contudo, está ao alcance de quem pisa na marina, onde agradáveis restaurantes e bares se acomodam na orla, com coqueiros, flores e vista para os iates. A noite ali costuma ser agitada, se é que a palavra se aplica à uma cidade onde o vento esculpe um trabalho demorado.

Da marina partem excursões para as ilhas Lavezzi. O tíquete vale cada centavo dos 15 euros (R$ 38), especialmente se você não chegou ali de navio. Isso porque a melhor paisagem de Bonifácio é vista do mar, com as casinhas sempre prestes a despencar do penhasco. Mas não só por isso. É no encontro das águas e da areia que toda a sutileza da cidade de 3 mil habitantes se faz entender. O vai e vem das ondas escavou grutas de águas incrivelmente azuis e outras quase patrióticas, como a que tem o nome e a forma do chapéu de Napoleão Bonaparte. Afinal, foi na Córsega, em Ajaccio, que ele nasceu, em 1769, quando a ilha já era francesa.

Os córsicos reivindicam o nascimento de outro ilustre, o navegador Cristóvão Colombo, em 1451. Isso porque, até 1768, a Córsega esteve sob domínio de Gênova. Seja como for, inspire-se no navegador para descobrir as belezas desse cenário antes de subir em direção ao centro antigo - um trenzinho leva até o alto.

Lá, toda direção é válida. Cada ruazinha revela lojas de arte e artesanato, algumas se dedicam aos sorvetes, outras aos queijos, salames, azeites, além de bares e restaurantes. Dedique a eles o tempo necessário para tomar uma cerveja ou saborear um canelone com bocciu, queijo de cabra típico. Não perca o essencial: a fortaleza (Stronghold) e a igreja de Saint Dominique, de estilo gótico (século 13). Por fim, assista ao espetáculo dos raios de sol inclinando-se pelas casas à beira do precipício até se deitarem sobre o Mediterrâneo.

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