Stefano Rellandini/Reuters
Stefano Rellandini/Reuters

Brasileiro cria 'Uber das gôndolas' em Veneza

Aplicativo permite que estranhos se encontrem para dividir os custos do passeio mais famoso da cidade

Larissa Godoy, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 04h30

Quando a ideia de passear de gôndola pelos canais de Veneza passava pela minha mente, ela vinha acompanhada de uma trilha sonora da cantora francesa Edith Piaf, com a música Je Vois La Vie en Rose. O romantismo da letra, que canta como a vida fica rosa por causa de uma grande paixão, casava bem com o que eu imaginava do passeio. Conheci Veneza e as gôndolas com a minha avó – um grande amor, é verdade, mas bem diferente das minhas expectativas. No fim das contas, não importa. As gôndolas têm um fascínio particular.

Mas não é todo mundo que topa desembolsar os 80 euros (um pouco mais de R$ 300) pelos 40 minutos de passeio. Foi o caso do advogado e empresário Thiago Tellegrinelli Naves, de 36 anos. Com um dia de folga durante uma viagem a trabalho em Veneza, Thiago desistiu do tour por causa do valor. “Observei que muitas pessoas quem iam às gôndolas, não passeavam por causa do preço”, conta. Foi daí que nasceu o Go, Gondola, aplicativo idealizado por ele e pela empresária Ingrid Spichiger, de 36, que promove o encontro de turistas interessados em dividir o passeio. A economia ocorre porque o valor da viagem não varia de acordo com o número de passageiros, ou seja: vai ser de 80 euros tanto para os que optam por viajar sozinhas, como para os que vão acompanhados.

É quase um Uber Pool (aquele em que várias pessoas dividem um carro para a mesma direção), mas sem envolver os motoristas ou, neste caso, os gondoleiros. Uma vez feito o download do aplicativo no celular – já disponível na Apple Store e no Google Play –, é preciso completar um cadastro simples, com nome, informações de contato e foto, ou então vincular sua conta do Facebook. Em seguida, marque no calendário a data, horário e número de pessoas que desejam fazer o passeio. Havendo uma combinação, os usuários recebem um e-mail em inglês com os respectivos contatos e, assim podem terminar de combinar os detalhes do tour. Em sua capacidade máxima (6 pessoas), a viagem de gôndola fica por 14 euros (R$ 49) para cada um.

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Por enquanto, três horários estão disponíveis: 10h, meio-dia e 14h, mas a ideia é que se ampliem as opções de horário e atrações: “Queremos atuar também em museus, como o Louvre, em Paris, e o Museu do Vaticano, que oferecem descontos para ingressos comprados em grupo”, diz Thiago. O Go, Gondola é gratuito, mas existe uma taxa facultativa de US$ 1,99, que pode ser paga pelo PayPal.

Trajetos e tradição. Há seis roteiros possíveis para os passeios de gôndola nos canais de Veneza: da estação ferroviária de Santa Lucia até a Praça San Marco, passando pelas igrejas de S. Rocco e St. Stephen; da Piazzale Roma, do lado oeste da ilha, até a ponte de Rialto, a ponte em arco mais antiga e famosa de Veneza, sobre o Grand Canal; da Stazione Marítima San Basilio até Casinò di Venezia, no Palazzo Vendramin-Calergi; do Ghetto degli Ebrei até o museu Cà Rezzonico, no Grand Canal; da Praça San Marco até o Palácio Grassi, também no Grand Canal; e, por último, do terminal de balsas Zattere Gesuati até a igreja Madonna dell’Orto.

Há também uma opção mais em conta, mas que não contempla toda a história e tradição gondoleira da cidade. É a gôndola Traghetto da Parada, que atravessa o Grand Canal de Veneza. Não é vista tanto como um passeio turístico, é mais uma opção de transporte público, mas diverte. Maior, conta com dois gondoleiros no comando, e custa 4 euros (R$ 15). São apenas seis minutos, com sete pontos de embarque e desembarque no Grand Canal. Para embarcar é só esperar em um deles, sinalizados em amarelo.

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