Mônica Manir/Estadão
Mônica Manir/Estadão

Cabo da Boa Esperança

Um dos pontos mais ao sul do continente oferece variadas atrações, animais e muito vento

Mônica Manir / Cidade do Cabo, O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2016 | 04h30

A mais ou menos uma hora e meia da Cidade do Cabo fica o Cabo da Boa Esperança, que Bartolomeu Dias descobriu em 1488. É uma viagem que vale não só pelo aspecto histórico, mas pela paisagem em si, de vegetação rasteira e avestruzes altivos. Várias eram as placas na estrada alertando para os baboons (babuínos), “perigosos animais selvagens”. Não vi nenhum, mas, se visse, o alerta era para não alimentá-los, sob pena de multa. Para instituir uma multa, a prática deve ser comum. Biólogos afirmam que os babuínos se tornam agressivos quando recebem comida dos humanos. 

Ao chegar ao Cabo via Uber – o navegante do nosso tempo –, foi difícil abrir a porta do carro, tamanha a ventania. Ali entendi por que Bartolomeu o chamou originalmente de Cabo das Tormentas. A Boa Esperança veio depois, quando d. João II soube que, ao dobrá-lo, via-se a ligação entre o Atlântico e o Índico e a chance de chegar mais rápido às Índias. A minha boa esperança foi quando vi que havia um funicular levando turistas ao farol de Cape Point, 87 metros acima, onde uma placa aponta que o Rio de Janeiro está a 6.055 quilômetros de distância.

Ali, no farol, criaram um museu, com a devida explicação de que não estávamos no extremo do continente. Esse mérito pertence ao Cabo das Agulhas, mais ao sul, verdadeira junção entre os dois oceanos. O ingresso custa 125 rands (R$ 30). Para usar o funicular você desembolsa mais 58 rands (R$ 14), ida e volta. 

 

Na volta, mais placas sobre animais, dessa vez apontando “Peinguin Viewing”, “Peinguins in Roadway” e “Boulders”. É a chance de conhecer a colônia de pinguins africanos de Simon’s Town. As aves estão ameaçados de extinção, em especial por causa da destruição de seu hábitat, de vazamentos de óleo, do aquecimento global e de atitudes insanas de turistas. 

De novo, a informação básica é conter o instinto materno e não alimentar os bichos. Os bicos dos pinguins são tão afiados quanto lâminas de barbear. Caso se sintam ameaçados, não terão pudor de beliscar um dedo ou um nariz. Mesmo com aquele jeitinho fofo.

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