Thiago Lasco/Estadão
Thiago Lasco/Estadão

Caldo e especiarias da cozinha local de Hoi An

Culinária do país é uma inspirada profusão de temperos e aromas

Thiago Lasco, O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2017 | 04h30

A passagem de chineses e franceses pelo Vietnã deixou marcas que se notam também à mesa. Prova disso é que um dos quitutes mais emblemáticos de Hoi An, o banh mí, é uma baguete indisfarçavelmente francesa – recheada de pernil ou frango, mais pepino, cenoura, coentro e uma úmida mistura de ervas e pimentas que valorizam o gosto da carne e dão liga ao sanduíche. Um lanche para qualquer hora, que custa menos de US$ 1. 

Aromática, a cozinha local usa condimentos como molho de peixe, chilli doce, nuóc cham, coentro e limão para criar molhos ao mesmo tempo picantes e adocicados. Neles, mergulham-se rolinhos de papel de arroz no vapor com camarão e vegetais (goi cuon), cestinhas crocantes com carne de caranguejo desfiada ou os irresistíveis crispy duck rolls – charutos formados por finos filamentos de massa, recheados de pato e fritos, que derretem na boca. 

Se você aprendeu no Bom Retiro paulistano a gostar de phô, aquela sopa quase hospitalar de macarrão de arroz com broto de feijão, ervas e fatias de frango ou carne, pode até achar quem prepare uma igual em Hoi An, mas ela é típica de Hanói. Aqui, será bem mais fácil encontrar noodles servidos com barriga de porco frita e legumes, sobre um caldo viscoso de porco e coroados por salgadinhos de arroz que lembram mandiopãs. A descrição apeteceu? Basta pedir um cao lau.

Mas se nada do que você leu nos parágrafos anteriores abriu seu apetite, não se preocupe. Nos cardápios da cidade antiga, dá para pescar opções mais palatáveis ao gosto ocidental, desde um básico filé com fritas até traduções bem livres de espaguete à carbonara. Elas podem ser um socorro providencial para os paladares menos aventureiros, mas custarão mais caro e não renderão experiências gastronômicas arrebatadoras.

Uma caminhada pela rua da orla do rio (Bach Dang) e pela paralela Nguyen Thai Hoc vai revelando uma sucessão de restaurantes simpáticos, alguns com mesas em varandas ou pátios ao ar livre. Mas não perca a hora: às 22 horas, as cozinhas já estão encerrando o expediente. 

Depois do jantar, faça a digestão atravessando a ponte para An Hoi e flanando pelo mercado noturno, com barracas que vendem luminárias de seda. 

Por ali, carrinhos de rua e restaurantes simples vendem pratos de US$ 1 a US$ 2 para os nativos. Arrisque um com ga (arroz cozido em caldo de frango, ervas, pedaços de frango e geleia de pimenta), se quiser ter uma amostra da comida do dia a dia vietnamita. 

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