Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Câmbio: 4 certezas equivocadas

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Ricardo Freire, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2017 | 03h00

Dinheiro para viagem é um assunto muito difícil para nós, leigos (e também para economistas que não põem o pé na estrada). Muitas vezes o senso comum está equivocado. Alguns exemplos:  

‘Não vou levar dólar pois está caro’. Evidentemente, para quem quer fazer uma poupança para viajar, vale muito mais a pena comprar dólar quando está a pouco mais de 3 reais, como agora, do que quando estava a quase 4 reais, há um ano e meio. Mas se você precisar comprar moeda no momento de viajar, o dólar quase sempre será a sua melhor escolha. Enquanto o real oscila para cima e para baixo, os hotéis que custam US$ 100 no Peru ou na Tailândia continuarão custando US$ 100 – não importa se o dólar por aqui esteja a R$ 3 ou a R$ 4.

‘Dupla conversão é sempre ruim’. Muita gente pensa que levar reais para o exterior é mais vantajoso porque evita a dupla conversão – quando você paga comissão para comprar dólar no Brasil, e depois paga nova comissão para vender os dólares no México ou na Hungria. Esse raciocínio, no entanto, só vale para moedas fortes. Se a sua moeda for fraca, como o real, a regra não funciona. O deságio do real no México será ainda maior do que a soma das comissões que você pagaria na dupla conversão. 

‘Cartão é ruim porque faz dupla conversão’. O cartão de crédito internacional é a Geni dos meios de pagamento. Além do IOF de 6,38% e da possibilidade de variação cambial até o pagamento da fatura (que são desvantagens de fato), os cartões têm fama de oferecer uma taxa de câmbio ruim, pelo fato de converterem a moeda local para o dólar antes de passarem para reais. Na verdade, acontece o oposto: no momento do gasto, as conversões são feitas por cotações muito melhores do que as de qualquer casa de câmbio. Estou na Colômbia, e meus gastos no cartão foram convertidos, antes do IOF, entre 887 e 900 pesos por real; com o IOF, a conta deu entre 834 e 842 pesos por real. Nas casas de câmbio, o real está valendo entre 650 e 800 pesos. Meus dólares (que comprei ao sair do Brasil a R$ 3,26) renderam em casas de câmbio o equivalente a 839 pesos por real. 

‘Sempre vale a pena levar reais para Argentina e Chile’. Buenos Aires e Santiago são dois destinos onde faz sentido levar reais. Mas é bom saber que existe uma sazonalidade: antes e durante o verão, há muita procura por reais por parte de argentinos e chilenos que vêm passar as férias no Brasil, o que valoriza o real. Quando chega o inverno, os turistas brasileiros inundam o mercado de reais – então vale mais a pena levar dólar.

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