Camila Anauate/AE
Camila Anauate/AE

Caminhos da Borgonha

Todo bon vivant sabe: esse é o trecho mais saboroso da França. Deguste com calma a rota dos grands crus

Camila Anauate e Luiz Horta, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2009 | 02h41

Erguer a taça com delicadeza. Depois, observar a cor do líquido, voltear o copo sete vezes, sentir o aroma e, enfim, degustar o vinho. Pierre Naigeon anda por entre os barris de carvalho, fala sobre a produção da vinícola - brancos, tintos e rosés classificados como villages, premier crus e grands crus -, abre outro tonel. E começa mais uma lição para os sentidos.

Sobre a mesa, a mulher dele, Françoise Vannier-Petit, coloca pratos com pães tipo gougère, presunto cru, queijos e foie gras caseiro, como faz questão de ressaltar. Neste momento, a certeza de que estamos no trecho mais saboroso da França, talvez do mundo.

O passeio pela Borgonha deve começar assim, numa cave úmida e escura, bem instalada embaixo da terra. Mesmo que, lá fora, o sol brilhe forte, colorindo os vinhedos com mil gamas de vermelho e dourado.

 

Veja também:

Culinária e história revelam alma da capital

Figurante num jantar black-tie

Tour no castelo de um autêntico conde falido

No mercado, a agilidade do chef recordista em fritar rãs

Abadia secular entre o garfo e a taça

Três estrelas para um santuário gastronômico

Pacotes turísticos para a Borgonha

A vinícola de Naigeon está na lendária rota dos grands crus, estrada de 60 quilômetros que acompanha as colinas da Côte d?Or, ou Encosta de Ouro, entre Dijon e Santenay. Gevray-Chambertin, Vougeot, Vosne-Romanée, Nuits-St-Georges e Chambolle-Musigny são alguns nomes que vemos no percurso.

Estamos na região produtora mais rica da Borgonha, lar ancestral das uvas chardonnay e pinot noir. Terras valiosas, graças à irretocável combinação natural entre solo (argiloso e calcário), microclima e altura das montanhas (entre 200 e 300 metros, o que garante a exposição dos vinhedos ao sol).

Outra característica marcante é a divisão do solo em pequenas propriedades, que produzem pouca quantidade de tintos e brancos, muitas vezes sublimes e extraordinários. O Domaine Pierre Naigeon tem 11 hectares e fabrica 70 mil garrafas por ano. Parece pouco, mas é muito para padrões locais. O que dizer então do 1,8 hectare exclusivo da Romanée Conti? A melhor terra para o melhor vinho. São apenas 5 mil garrafas anuais - um rótulo de 2007 não sai por menos de 6 mil.

Alugar um carro é a dica para se perder entre os renomados vinhedos e descobrir outras surpresas, como casinhas com flores na janela e châteaux de pedra. Pare onde quiser, quando quiser. A maioria das vinícolas oferece degustação, motivo mais que justo para se esconder embaixo da terra.

BON APÉTIT

Os bon vivants sabem que percorrer a rota dos grand crus é só o começo da viagem por essa terra de inenarráveis prazeres. Muito antes da França se tornar um país cristão, a Borgonha, um de seus ducados mais poderosos, já havia criado uma identidade regional. Já era conhecida pela gastronomia e, sobretudo, pelos vinhos.

Entre um longo almoço e um jantar em restaurantes Michelin - como o de Bernard Loiseau, em Saulieu -, o turista conhece o esplendor da capital Dijon, explora o charme de Beaune, visita abadias e topa com cidadezinhas medievais. Deguste sem pressa. Como dizem por aqui, "bon apétit et large soif".

Viagem feita a convite da Maison de la France

EXPERIÊNCIA COMPLETA

Achar um bom Borgonha de preço adequado é tarefa difícil. Mas vale a pena tentar. Comece pelos básicos Bourgogne Rouge - quase toda casa tem o seu 

 

DEGUSTE LÁ: Confira as caves que oferecem visitas e degustação:

Les Caves Patriarches Père et Fils: http://www.patriarche.com/

Bouchard Aîné & Fils: http://www.bouchard-aine.fr/

Maison Champy: http://www.champy.com/

Le Marché aux Vins: http://www.marcheauxvins.com/

Château de Chassagne-Montrachel: http://www.michelpicard.com/

Sensation Vin: http://www.sensation-vin.com/

Dufouleur Père et Fils: http://www.dufouleur.com/

Pierre Naigeon: http://www.pierrenaigeon.com/

COMPRE AQUI: Rótulos de boa relação custo-benefício à venda no Brasil:

Bourgogne Pinot Noir 2006 (J.J. Confuron): R$ 84,18, na importadora Vinci

Bourgogne Pinot Noir 2006 (Philippe Pacalet): R$ 140, na World Wine

Savigny Les Beaunes 1er Cru 2006 (Catherine et Claude Marechal): R$ 178, na Delacroix

Leroy Bourgogne Rouge 2001 (Domaine Leroy): R$ 185, na Zahill

Mercurey Les Montots 2006 (Dom. A et P de Villaine): R$ 248, na Expand

Bourgogne Couvent des Jacobins Rouge 2006 (Louis Jadot): R$ 104,44, na Mistral

Mais conteúdo sobre:
Viagem Borgonha França vinhos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.